terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

10 motivos para ser a favor da vida através da descriminalização do aborto


Por Católicas pelo Direito de Decidir




1 – A questão sobre o aborto não diz respeito à “vida”, mas à “vida humana”, ou seja, ao indivíduo. Não é uma questão de saber como começa a vida, é uma questão de saber em que etapa do desenvolvimento o nosso Estado laico deve aceitar um embrião como um cidadão digno de direitos.

2 – Para estabelecer se um embrião é um cidadão, o Estado deve ser informado pela ciência sobre quando surgem no desenvolvimento os atributos mais caracteristicamente humanos.

3 – Os atributos mais caracteristicamente humanos não são ter um rim funcionando, nem um coração batendo, mas ter um cérebro em atividade. Isto é razoavelmente estabelecido porque é a morte cerebral que é considerada o critério para dizer quando uma pessoa morreu, e não a morte de outros órgãos. Por isso mesmo transplante de coração não é acompanhado de “transplante” de registro de identidade.

4 – Se a morte do cérebro é o critério médico que o Estado aceita para considerar o indivíduo humano como morto, o início do cérebro deve ser logicamente e necessariamente o critério para considerar o início do indivíduo, e não a fecundação.

5 – Considerar a fecundação como o início do indivíduo humano é perigoso, porque é definir um indivíduo apenas por seus genes. Isso é determinismo genético.

6 – O cérebro não tem sua arquitetura básica formada no mínimo até o terceiro mês da gestação. Isso significa que o embrião não percebe o mundo, não tem consciência, é um punhado de células como qualquer pedaço de pele. Por isso não é moralmente condenável que as mães tenham direito de escolher não continuar a gestação antes deste período.

7 – Usar o argumento de que o embrião ou o zigoto tem o potencial de dar origem a um ser humano para protegê-lo não vale, porque seria o mesmo que tentar proteger os óvulos que se perdem logo antes das menstruações em todas as mulheres, ou os espermatozoides que são jogados fora na masturbação masculina. Além disso, hoje a ciência sabe que toda célula humana, até as células da pele, tem o potencial de dar origem a um ser humano inteiro, bastando para isso alguns procedimentos de clonagem. No entanto nós destruímos essas células diariamente: arrancando a cutícula, roendo as unhas, passando a mão no rosto, arrancando fios de cabelo, etc. Potencial não concretizado não é argumento para defender coisa alguma.

8 – Se você acha que o embrião precoce ou o zigoto tem consciência, é responsabilidade sua provar isso, não é o que os cientistas dizem. E num Estado laico, vale o que pode ser estabelecido independentemente da crença religiosa. Se sua crença religiosa diz que uma única célula é consciente, você não tem o direito de impor sua crença a ninguém ao menos que possa prová-la e torná-la científica. Todos os que tentaram fazer isso falharam até hoje: uma célula formada após a fecundação não é essencialmente diferente de qualquer outra célula do corpo.

9 – A vida, em sentido mais amplo, que inclui os outros animais, as plantas e os microorganismos, é um processo ininterrupto que começou neste planeta há aproximadamente 4 bilhões de anos atrás. Por isso é importante reiterar: não é o “começo da vida” que está sendo debatido, mas sim o começo do indivíduo humano como um ser consciente, dotado de uma mente e digno de proteção do Estado.

10 – Concluindo, é a mãe, um ser humano adulto, uma cidadã com direitos, quem merece prioridade de proteção, e não um embrião de poucas semanas. Se ela não se sente preparada para cuidar de uma criança, ela deve ter o direito de interromper sua gestação, caso esta gestação esteja no começo e o embrião não tenha cérebro desenvolvido. Existem estudos científicos que mostram que crianças indesejadas têm maior chance de desenvolverem transtornos psiquiátricos e serem cidadãos problemáticos e infelizes. E também existem estudos que mostram que a descriminalização do aborto esteve associada à redução nos índices de criminalidade nos Estados Unidos. Deixar as mulheres terem poder de decisão sobre seus próprios corpos é reconhecer um direito natural delas e assegurar que só tenham filhos quando sentirem que podem trazê-los a este mundo com amor e saúde, para que o próprio mundo em que crescerão seja também mais saudável.

E é por isso que defender que o aborto seja uma escolha, e não um crime, é também defender a vida humana.

domingo, 22 de janeiro de 2012

"Momento Confissão da Schi", ou será "Momento Confusão da Schi"...




Certo dia uma pessoa falou que essa minha mania de acreditar na bondade das pessoas e de sorrir para o mundo como se só houvessem coisas boas, chegava a ser irritante. Acreditar nas pessoas, em sentimentos mágicos como o amor, a solidariedade, o querer bem.
Como eu nunca me importei para com o que os outros pensam a meu respeito, não dei bola, e ainda respondi com um baita sorriso. Mesmo porque não estou nesta vida para agradar ninguem, ser uma "inha" qualquer, ou ficar moldando minha vida conforme os ditos "normais". Mas essa semana, duas pessoas que eu amo muito e que estão ao meu lado desde que nasceram, chamaram minha atenção para algumas coisas e, acreditem, estou há dias pensando sobre. Ao ponto de sentir a necessidade de vir aqui e compartilhar com quem se importa comigo e com quem eu me importo, torcendo para que nunca passem por isso, ou melhor, que passem mas com a compreensão que estes momentos de reflexão profunda nos fazem "gentem grande", é assim que estou me sentindo.
O engraçado, se é que podemos achar graça, é que essas duas pessoas tiveram opiniões diferenciadas sobre a mesma questão.
Resumindo: Em meio a brincadeiras, uma pessoa disse que sou "trouxa" por me importar tanto com aqueles que amo, ao ponto de não cuidar de mim mesma como eu deveria. Ri na hora, pq o "trouxa" chegou em um momento engraçado, mas ficou bem registrado, infelizmente. E em menos de 24 horas, a outra pessoa disse que pensou muito antes de me falar, mas que eu precisava saber que eu não me importo com ela como eu deveria e que eu não a quero ver feliz.
Como qualquer ser humano, cheia de contradições, nada perfeita, ainda estou a avaliar o que está ecoando aqui dentro do meu coração e ficam duvidas do tipo: será que amo tanto, que este meu amor não consegue enxergar o óbvio aos olhos de alguns, ou será que por amar tanto, proteger tanto, acabei não permitindo que o outro percebesse que tudo o que fiz até hoje foi simplesmente e puramente por amor.
Será que amo tanto ao ponto de não ter deixado essa pessoa viver sua vida, dar suas trombadas no muro sozinha e com isso crescer... será que esse amor que protege, acolhe, aninha, prejudica... será que isso é amor mesmo...
Fica ai essa "confusão mental" que estou passando, só tenho uma certeza, se errei, não "errei" por abandono, por omissão, por querer errar...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Paraiso Perdido

Ho Ho Ho... Ops...
Já passou... Papai Noel ja ta de férias em Jurere... rsssss
Afff... todo mundo tá de ferias em Jurerê, até parece que a Ilha se resume aquele risquinho de areia com um dos m2 mais caros do País... onde uma garrafinha dágua é mais cara que 1kg de bife... onde menininhas e menininhos não tem qualquer noção do que é certo e errado e papais e mamães financiam drogas e alcool... onde jogador de futebol com meio metro de cultura e milhões na conta corrente vira principe encantado e sua torre o camarote VIP...
Socorrooooooooooooooo... eu quero ver na midia a minha Lagoinha do leste... o Ribeirão da Ilha... a Freguesia... Moçambique... Ponta das Aranhas... Sambaqui...
Quero andar pelas ruas do meu bairro sem medo, sentar na calçada tomando sorvete, receber a visita dos seresteiros, ou abrir a janela e me deparar com um tucano multicolorido... Costa de Cima ... quanta saudade do tempo que dormia de janela aberta e chaves na porta era apenas quando viajava...
Essa era a minha Ilha da Magia... que hoje virou a Ibiza dos pobres de espirito....
Boa Noite Mundinho Azul... onde tudo é permitido... até eu chegar aqui a essa hora praguejando contra os invasores do paraiso...

sábado, 7 de janeiro de 2012

Primeiro aluno de Medicina a entrar por cotas na Ufba recebe diploma

Em uma casa azul na Ladeira Manoel Faustino – mesmo nome de um dos líderes negros da Revolta dos Alfaiates, que em 2011 se tornou Herói da Pátria – Ícaro Luis Vidal, 24 anos, se apronta para o grande dia de sua vida. À noite, o primeiro estudante a ingressar pelo sistema de cotas no curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba) se forma.
As trancinhas que a cabeleireira faz em seu black power têm dois motivos: um é poder vestir o capelo de formatura (chapéu usado na solenidade). O outro é a pressão de sua mãe, Raimunda Vidal dos Santos, 47, que acha que assim o filho fica mais bonito para a festa, realizada ontem à noite, no Centro de Convenções.
Ícaro começou o curso em 2005, quando a Ufba implantou o sistema de cotas. Hoje, a instituição reserva 2% das vagas para índio-descendentes e 43% para alunos que tenham todo o ensino médio em escolas públicas. Desses, 85% são para estudantes que se declararam pardos ou pretos.
Ao fim do 3º ano no Colégio da Polícia Militar, conciliado com o cursinho, Ícaro já tinha passado no meio do ano em Direito na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). “Assim, eu fiz a prova mais tranquilo”. Amiga de infância, Inês Costal, 24, lembra dele como aluno aplicado. “Sempre foi brilhante, era o CDF”, relata.

Orgulho
Ícaro atribui o desempenho à sua criação. “Ele nunca me deu trabalho, mas sempre cobrei. A média do colégio era 8, mas eu exigia 9”, lembra a mãe. O rigor deu resultado. “Tenho orgulho dos meus filhos”, afirma ela, incluindo a filha Ísis Carine dos Santos, 25, que mês que vem se forma em Engenharia Química, também na Ufba.
Ontem, na formatura, dona Raimunda via o sonho realizado e vibrava num longo rosa. “Dever cumprido. Agora vou cuidar de mim”, diz ela, que este ano vai tentar cursar Pedagogia. “Espero conseguir uma vaga pelo Enem”, torce.
Ícaro divide com ela e com Ísis uma casa na Liberdade. O pai, que mora em Feira de Santana, também veio para a formatura. Uma outra irmã mora em Conceição de Feira.

Desafios

O sonho de Medicina surgiu cedo. Ao ver crescer a barriga de três tias que engravidaram na mesma época, a cabeça do menino de 6 anos se encheu de perguntas. “Queria saber como tinha entrado, como saía”, lembra. Com o tempo, esqueceu a obstetrícia: agora quer ser oncologista. “Conviver com esses pacientes, tão carentes de atenção, me despertou para a área. O câncer é uma doença que isola”, reflete.
Se os pacientes sofrem, Ícaro também passou perrengues. Nos dois primeiros anos, além de cursar a faculdade, trabalhava e fazia curso técnico em Química, no Instituto Federal da Bahia (Ifba, então Cefet), que lhe possibilitou ser perito técnico da Polícia Civil.
O rapaz só chegava em casa às 23h e ainda tinha que estudar até as 2h. Várias vezes acabou dormindo em cima dos livros. “Mas nunca repeti nenhuma matéria”, orgulha-se.
O grande impacto na Ufba foi o grau de dificuldade. “A cota facilita a entrada, mas sair depende de você”, analisa.
Hoje, Dr. Ícaro está encaminhado: passou em um concurso para médico do Programa Saúde da Família (PSF). E quer mais. “Quando vi a equipe do (Hospital) Sírio-Libanês que cuidou de Lula falando com os repórteres, pensei: um dia eu é que vou estar aí”.

Projeto propõe cotas obrigatórias

Mesmo com tantas universidades no país adotando cotas, não há uma lei federal que determine regras ou obrigue as instituições a aderirem ao sistema. As universidades têm autonomia para decidir quantas vagas destinarão às cotas e se o critério será socioeconômico ou étnico. Um Projeto de Lei (71/99) sobre o tema já foi aprovado na Câmara e desde 2008 aguarda para ser votado no Senado. Segundo a proposta, apresentada em 1999 pela então deputada federal Nice Lobão (PFL-MA), as universidades públicas federais reservariam vagas para estudantes que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas, tenham renda familiar per capita de até 1,5 salário mínimo e sejam negros, pardos ou indígenas.
No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Ricardo Lewandowski relata duas ações contra cotas para negros. A primeira foi ajuizada pelo DEM contra a Universidade Federal de Brasília (UnB), onde uma comissão decide por foto ou entrevista quem pode ser classificado como negro, pardo ou branco. A outra foi proposta em maio por um estudante que não foi aprovado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Há ainda no STF mais três ações sobre o sistema de cotas adotado pelo ProUni. Os processos estão na pauta de votação desse ano.

http://revistaafricas.com.br/archives/47377

Violência contra a Mulher - SC 2014