segunda-feira, 5 de março de 2012

Lealdade, principalmente na Luta!

Hoje eu recebi esta foto de uma amiga muito querida que está em Missão na Africa, está desde Janeiro viajando, e da Africa ela vai para a Palestina. Estou com saudades do sorriso dela e deu vontade de escrever algumas coisas sobre a nossa amizade.



Nós não militamos no mesmo Partido Político, não militamos no mesmo Movimento, temos algumas divergências com relação a vários assuntos, tanto que durante estes anos de amizade, entre uma cerveja e outra, já discutimos várias vezes. Tambem já choramos muito juntas, ela bem sabe quantas lágrimas de tristeza e alegria já compartilhamos.


Mas nunca, eu disse NUNCA, fomos desleal uma com a outra. Em nenhum momento deixamos que nossas divergências fossem divisores de água para a nossa lealdade. Principalmente a nossa lealdade em defesa das mulheres, dos que vivem a margem da sociedade com seus direitos negados, e em especial, em defesa da nossa querida Palestina.





Já vi essa minha querida amiga ser criticada por suas atitudes, muito por ser uma pessoa firme em suas posições, mas nunca a vi fugir de uma luta, para ela não existe dia de descanso, todos os dias são dias de luta.




Querida Amiga, que as sementes que plantas hoje no solo africano, floresçam e nos tragam muitos frutos, muitos sorrisos e muitas vidas poupadas da morte!

Silvinha, AMOR, é o que te desejo todos os dias.

Boa viagem! Boa luta! Volta logo, estamos com saudades de teu sorriso!

As Faces da Pobreza



Mais de um bilhão de pessoas no mundo vivem com menos de um dólar por dia .

Outros 2.7 bilhões lutam para sobreviver com menos de dois dólares por dia.

A pobreza nos países em desenvolvimento, no entanto, vai muito além da pobreza de renda.



Significa ter de caminhar mais de 1,5 quilômetros todos os dias, apenas para ir buscar água e lenha; significa sofrer de doenças que, nos países ricos, foram erradicadas há décadas.

Todos os anos, morrem onze milhões de crianças , a maioria das quais com menos de cinco anos; e mais de seis milhões morrem devido a causas totalmente evitáveis como a malária, a diarréia e a pneumonia.

Em alguns países extremamente pobres, menos de metade das crianças freqüentam o ensino primário e uma percentagem inferior a 20% passa para o ensino secundário. No mundo inteiro, 114 milhões de crianças não recebem instrução sequer ao nível básico e 584 milhões de mulheres são analfabetas.

Apresentamos em seguida alguns dados elementares que revelam as causas e expressões da pobreza que afeta mais de um terço da população mundial.

Saúde

Todos os anos, seis milhões de crianças morrem de má nutrição de fazer cinco anos.
Mais de 50% dos africanos sofrem de doenças relacionadas à qualidade da água, como cólera e diarréia infantil.

Todos os dias , o HIV/AIDS mata 6.000 pessoas e infecta outras 8.200 .
A cada 30 segundos, uma criança africana morre devido à malária – o que significa mais de um milhão de crianças mortas por ano.

A cada ano, aproximadamente 300 a 500 milhões de pessoas são infectadas pela malária. Aproximadamente três milhões de pessoas morrem por causa da doença.
Tuberculose (TB) é a principal causa de morte relacionada com a AIDS e, em algumas partes da África, 75% das pessoas portadoras do vírus HIV também têm TB.

Fome

Mais de 800 milhões de pessoas vão se deitar todas as noites com fome; dentre elas, 300 milhões são crianças. Desses 300 milhões de crianças, apenas 8% são vítimas de fome ou de outras condições de emergência. Mais de 90% sofrem de má nutrição prolongada e de um déficit de micronutrientes. A cada 3,6 segundos , mais uma pessoa morre de fome; em sua grande maioria, crianças com menos de 5 anos.


Água

Mais de 2,6 bilhões de pessoas - mais de 40% da população mundial – carecem de saneamento básico e mais de um bilhão continua a usar fontes de água imprópria para o consumo. Quatro em cada dez pessoas no mundo carecem de acesso a uma simples latrina. Cinco milhões de pessoas, na sua maioria crianças, morrem todos os anos de doenças relacionadas à qualidade da água.


Agricultura

Em 1969, a África era um exportador líquido de alimentos; hoje, o continente importa um terço dos cereais de que necessita.

Mais de 40% dos africanos não têm capacidade de obter diariamente os alimentos suficientes. A decrescente fertilidade dos solos, a sua degradação e a pandemia da AIDS levaram a uma diminuição da produção de alimentos per capita da ordem dos 23%, nos últimos 25 anos, apesar de a população ter aumentado muito significativamente. O agricultor africano paga pelos fertilizantes convencionais entre três e seis vezes mais do que o seu custo no mercado mundial.


O efeito devastador da pobreza nas mulheres

Mais de 80% dos agricultores da África são mulheres. Mais de 40% das mulheres africanas carecem de acesso ao ensino básico. Se uma menina receber instrução durante seis anos ou mais, a sua utilização, quando adulta, dos cuidados pré e pós-natais e a taxa de sobrevivência ao parto aumentam significativamente. As mães que possuem instrução vacinam os filhos com uma freqüência 50% superior à das mães não-instruídas.

A AIDS propaga-se com o dobro da rapidez entre as meninas não instruídas, em comparação com aquelas que têm alguma escolaridade. Os filhos de uma mulher que freqüentou o ensino primário durante cinco anos apresentam uma taxa de sobrevivência 40% superior aos filhos das mulheres sem qualquer instrução. Uma mulher da África sub-saariana tem 1 possibilidade em 16 de morrer durante a gravidez ou o parto. Na América do Norte, o risco de é 1 em cada 3700 casos. Em cada minuto, uma mulher morre no mundo durante a gravidez ou o parto. Isto significa que, no total, morrem 1.400 mulheres por dia – isto é, 529.000 por ano – devido a causas relacionadas com a gravidez. Quase metade dos partos, nos países em desenvolvimento, não são assistidos por um técnico de saúde.


Juliano Giassi Goularti
Assessoria Bancada PT/ALESC


(Fonte: PNUD)

sábado, 3 de março de 2012

De princesa a presidenta




Na eleição da presidenta Dilma Rousseff, fiquei extremamente tocada com a ênfase que ela deu à questão da mulher. Tanto no discurso no dia em que ganhou quanto no da posse, as palavras "compromisso" e "protagonismo feminino" soaram como música aos meus ouvidos e nos de milhares de mulheres do Brasil.

Depois, fiquei pensando quão difícil seria colocar essas intenções em ação. A resistência dos partidos em fazer indicações femininas, a timidez de muitas mulheres em pensarem-se como protagonistas, o desinteresse nas questões da mulher, os embates ideológicos... De fato, muitas montanhas a serem escaladas.

A pergunta fundamental que me faço hoje é: fez diferença ter uma mulher presidenta? Fez. Por motivos que não têm a ver com qualquer movimento específico da presidenta e também por ações concretas que ela implementou.

A mera presença de uma mulher no comando do país provocou, de imediato, um impacto. Consequência que possibilitou a mim a vice-presidência do Senado depois de 185 anos de hegemonia masculina e a nomeação da primeira diretora-geral da Casa.

A presidenta se debruçou com cuidado sobre os nomes femininos para os ministérios. Os partidos nunca "encontram nomes". Sei a mão forte que é necessária para atingir o número de nove ministras a que Dilma atingiu. Isso sem falar na nomeação de mulheres para o Judiciário ou na substituição dos atendentes do avião presidencial por aeromoças. Isso não teria acontecido sem a determinação de Dilma. Lembro que FHC teve três ministras, e Lula, cinco.

Voltando ao simbólico, ainda não temos a medida. Serão necessárias algumas gerações para saber o efeito de ver, na TV, uma mulher falando como chefe da nação. Quanto tempo para as meninas passarem do brincar de princesa ao brincar de presidenta?

O príncipe não passará mais no cavalo branco, mas a autonomia e o poder são ingredientes muito atraentes. O cavaleiro não virá resgatar, será cúmplice e um igual.

De maior impacto para as mulheres, temos as ações do mês da mulher na área da saúde. Não é pouco reduzir 20% dos casos de mortalidade materna em um ano e colocar 22% a mais de recursos no combate ao câncer feminino.

Os caminhos políticos são árduos, e o recrudescimento do conservadorismo tem tido um preço -que não favorece as milhares de mulheres que morrem por aborto nem os gays trucidados por homofobia. A presidenta tem sido cautelosa no assunto. A nomeação de uma ministra que pensa diferentemente dessas forças foi um alento nesse impasse que parece uma muralha erigida por alguns no país e no Congresso Nacional.

Viva o dia 8 de março!

MARTA SUPLICY Folha de São Paulo de hoje.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Igualdade entre mulheres e homens na agenda da Rio+20


Até que todas sejamos livres!!!
Mulheres em Movimento rumo a Rio + 20




02/03 - Discurso da Ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, "Igualdade entre mulheres e homens na agenda da Rio+20"


No ano de 2012 o Brasil sediará a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – a Rio + 20. Um momento de avaliação e perspectivas do desenvolvimento global, tendo em vista, em especial, a crise vivida em grande parte dos países,crise esta que precisa ser consideradas em suas dimensões interligadas – financeira, econômica, energética, ambiental e social – que exigem novas respostas.

Sabemos que as mulheres são responsáveis pelo cotidiano das pessoas, pelas ações de cuidado e, em quase todo o mundo, têm papel fundamental na produção de alimentos, no manejo das florestas e fontes de bens naturais, e atuam de forma decisiva na preservação do meio ambiente. Nesta sessão da CSW, em que as mulheres rurais são o tema central, temos a oportunidade de confirmar que o desempenho deste papel em todo o mundo não vem acompanhado de direitos iguais, de rendimentos justos ou do protagonismo na tomada de decisões sobre o uso dos recursos.

Pensar o desenvolvimento sustentável com a inclusão das mulheres significa reconhecer também o trabalho doméstico, de cuidados, e para o autoconsumo, em sua maioria realizada por mulheres, como elementos de sustentação do conjunto das pessoas, e que necessitam ser compartilhados por toda a sociedade.

A construção de um novo modelo de desenvolvimento sustentável deve decorrer da participação ativa de setores sociais, tradicionalmente excluídos destes processos. Inúmeras ações, resistência e alternativas construídas pelas mulheres, ao longo dos anos, apontam para a efetivação da soberania alimentar e energética, com iniciativas que articulam outras formas de produção, consumo, uso da energia, da água e do solo.

Para nós isso se vincula a um novo paradigma de desenvolvimento, em que sustentabilidade, e desenvolvimento econômico se associam de forma estrutural à igualdade, à distribuição da riqueza e a uma igual distribuição do trabalho e dos bens.

As alternativas a serem construídas precisam levar em conta o compartilhamento do trabalho e das riquezas, de forma que o uso dos bens naturais deixe de ser concentrado social e geograficamente, no mundo e no interior dos países.

A partir de sua política econômica, o governo brasileiro aposta no crescimento econômico com elevação da renda dos mais pobres e no aprofundamento, ampliação e qualificação das políticas sociais.

A Política Nacional para as Mulheres, que define as diretrizes de nosso trabalho, enfatiza o desenvolvimento sustentável no meio rural e áreas urbanas com garantia de justiça ambiental, soberania e segurança alimentar. E nesta perspectiva, as discussões e temas da Conferencia Rio + 20 se enquadram, para nós, nos marcos dos compromissos do governo brasileiro com a efetiva inclusão da perspectiva de gênero em todo o processo de sustentabilidade econômica, política social, cultural, onde as mulheres rurais, indígenas, ribeirinhas, quilombolas, das florestas e negras são estruturantes no processo.

Destacamos, também, que a discussão sobre desenvolvimento não se descola do acesso a direitos e serviços.

A gravidade da violência de gênero no mundo rural, por exemplo, exige ações públicas direcionadas de prevenção, promoção de serviços e direitos e punição dos agressores. No campo e na cidade, tal violência de gênero começa na infância e vai até as mulheres idosas, dentro do cotidiano das casas e no trabalho fora de casa. As condições precaríssimas de trabalho, a dupla jornada do trabalho, o uso do tempo diferenciado e desigual entre as mulheres e homens, o trabalho escravo das crianças e adolescentes, a violência domestica e sexual, são alguns dos exemplos dolorosos a serem apontados.

Da mesma forma, os processos de desenvolvimento devem se combinar com a superação das dificuldades e precariedades no acesso aos serviços públicos de saúde. São empecilhos ao exercício dos direitos sexuais e reprodutivos, como o planejamento familiar, a gestação, parto e puerpério sem uma assistência com qualidade. Na maioria dos países – e isso não é diferente no Brasil – a fixação dos profissionais de saúde nas áreas rurais é bastante difícil.

Temos assumido liderança no cenário internacional para a construção de um novo modelo de desenvolvimento sustentável. Na Rio+20, teremos a oportunidade de debater experiências de políticas públicas e ações significativas de desenvolvimento sustentável com inclusão social, rompendo paradigmas e, buscando alternativa ao modelo de desenvolvimento hegemônico.

O compromisso com a agenda 21 e a Carta da Terra elegeram como princípios orientadores de consensos a necessidade de se efetivarem mudanças nos padrões de produção e consumo, de se garantir o pleno exercício dos direitos humanos e a inclusão das mulheres e das crianças em todas as dimensões da cultura e da política, em especial, de se promover o combate à pobreza. Também se destaca também a importância da defesa dos direitos de todas as pessoas, sem qualquer discriminação, a um ambiente natural e social capaz de assegurar a dignidade humana, e concedendo-se atenção especial aos direitos dos povos indígenas e povos tradicionais. Insistimos, também, nas mulheres negras e populações vulneráveis em áreas urbanas e rurais.



Dar concretude a estas agendas e compromissos exige que se apontem políticas efetivas para alterar as desigualdades sociais. Em especial tendo em vista as mulheres rurais é central assegurar o pleno acesso ao crédito rural, aos insumos e implementos agrícolas, à propriedade da terra, ao aceso e manejo dos bens naturais e estratégicos para o desenvolvimento sustentável e solidário.

Isso também tem sido enfatizado pelo massivo massivo movimento de mulheres do campo e da floresta existente no Brasil, aqui representado pela Marcha das Margaridas e pelas mulheres da Via Campesina Brasil, presentes no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e na delegação oficial do Brasil nesta sessão. Como se destaca na voz das trabalhadoras rurais presentes no movimento de mulheres em nosso país, “sem a plena democratização da terra e da água e da garantia de seu acesso”, e com atenção especial às mulheres negras, populações vulneráveis, povos indígenas, tradicionais, não haverá soberania e segurança alimentar.

A democratização e mudanças e avanços de padrões tecnológicos, o acesso a serviços, a garantia do investimento público nas políticas que garantem e ampliam direitos são parte indispensável desse processo.

Queremos convidar a todas as delegadas, representantes de governo, da sociedade civil, do movimento feminista e de mulheres, a debater em seus países a pauta da Conferência do Desenvolvimento Sustentável, Rio + 20, tendo em vista a importância de fortalecer a perspectiva de que só poderemos construir um mundo sustentável e com igualdade, se os resultados da conferência afirmam uma identidade entre direitos, igualdade, desenvolvimento e sustentabilidade. E reconhecem a necessidade de alterar padrões de desenvolvimento que colocam de forma desigual sobre as mulheres o ônus da sustentabilidade do viver, do cotidiano do cuidado e da proteção dos bens comuns.



O engajamento de governos e sociedade civil em uma agenda de desenvolvimento sustentável com certeza repercutirá para que os debates da conferência possam efetivar uma pauta que além dos temas, sem dúvida indispensáveis, de modelos energéticos, associem o desenvolvimento com a distribuição da riqueza e as propostas de um futuro com igualdade.

Realizaremos, em conjunto com a ONU Mulheres, um encontro de mulheres líderes por ocasião da Rio +20, e contamos com os países aqui presentes no engajamento para que as presidentas e dirigentes dos países aí estejam representadas. Nossa pauta se concretiza também com o aumento da participação política das mulheres.

Reafirmo aqui, em nome da Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, nosso compromisso com as mulheres de buscar que o debate sobre o desenvolvimento econômico tenha a face social, cultural e política da igualdade entre mulheres e homens.



Obrigada. / Gracias.

Violência contra a Mulher - SC 2014