quinta-feira, 10 de maio de 2012

=> Divisão Sexual do Trabalho


Esta imagem representa bem a divisão sexual do trabalho, cria uma pseudo hierarquia e fortalece a condição de dominador e dominada. Desconstruir esta relação é uma forma de enfrentar a violência doméstica contra a mulher, tambem.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Sobre a violência doméstica e o empoderamento das mulheres


O Fantastico apresentou no dia de ontem uma matéria sobre mulheres vitimas de violência doméstica. A matéria está bem interessante, mas eu ainda não estou convencida dos dados apresentados na pesquisa, pelo simples fato de que não temos em todos os estados um banco de dados confiável sobre a violência doméstica contra a mulher.
Com base na reportagem, a cada 5 minutos uma mulher é agredida no país, se trabalhamos com informações de dados precários, penso que este número vai muito além.
Mas e o que fazer para que esta realidade mude?
A Academia tem produzido materiais bem interessantes, mas são poucos os espaços para que as mulheres agredidas sejam realmente ouvidas e tenham suas necessidades garantidas. o que pode ser uma dificuldade para a "Maria", pode não ser para a "Ana", ou a "Joana".
Escrevi um texto há alguns anos para o MMTU/SC falando sobre a importância do empoderamento das mulheres para romper com o ciclo de violência vivida no espaço privado de seus lares.
Neste material afirmamos o que Nelly Stromquist escreve em “La busqueda del empoderamiento: en qué puede contribuir el campo de la educación”, quando afirma que os parâmetros do empoderamento são: a construção de uma auto-imagem e confiança positiva; o desenvolvimento da habilidade para pensar criticamente; a construção da coesão de grupo; a promoção da tomada de decisões; a ação. E que esse processo de avanço da mulher se dá através de cinco níveis de igualdade: bem-estar, acesso aos recursos, conscientização, participação e controle.
Ainda para Stromquist, uma perfeita definição de empoderamento, deve incluir os componentes cognitivos, psicológicos, políticos e econômicos.
Componente cognitivo refere-se à compreensão que as mulheres têm da sua subordinação assim com as causas desta em níveis micro e macro da sociedade. Envolve a compreensão de ser e a necessidade de fazer escolhas mesmo que possam ir de encontro às expectativas culturais e sociais.
Este componente cognitivo do empoderamento também inclui um novo conhecimento sobre as relações e ideologias de gênero, sobre a sexualidade, os direitos legais, as dinâmicas conjugais etc.
O componente psicológico inclui o desenvolvimento de sentimentos que as mulheres podem pôr em prática a nível pessoal e social para melhorar sua condição, assim como a ênfase na crença de que podem ter êxito nos seus esforços por mudanças: autoconfiança e auto-estima são fundamentais.
O componente político supõe a habilidade para analisar o meio circundante em termos políticos e sociais, isto também significa a capacidade para organizar e promover mudanças sociais.
E o componente econômico supõe a independência econômica das mulheres, esse é um componente fundamental de apoio ao componente psicológico.
Ao compreender o mundo ao redor, as mulheres passam a ter um novo olhar sobre a sociedade, sobre seus direitos, sobre ela mesma. E para as que sofrem violência doméstica, há o grande dilema FICAR X PARTIR.
O ficar ou partir compreende que a mulher precisa aprender a dizer um basta e a colocar suas condições. Ela precisa quebrar o silêncio que se instala em torno da violência.
Ficar, enquanto estiverem sob sujeição, as vítimas terão a sensação de que não há solução. Mas quando ´se desligam` e ousam reagir, ficam surpresas de ver que o homem que as agredia e que lhes dava medo é, na realidade, alguém frágil, sustentado por pensamentos machistas.
Para partir é necessário reconhecer que não vai conseguir mudar o outro e decidir, finalmente, preocupar-se consigo mesma. Há pesquisas que indicam que as mulheres que não sofreram violência na infância, tem uma boa auto-estima, boas relações sociais para apoiá-las, trabalho que a dê uma certa autonomia financeira, esclarecimento de seus direitos, estas tem mais condições para reagir.
Há de se considerar ainda que, a maior parte dos homicídios de mulheres cometidos pelo cônjuge tem lugar no momento em que elas saem de casa ou quando demonstram essa intenção. Já fragilizada, pela agressão, ainda há a insegurança de como sobreviver fora daquele espaço.
Questionei a relatora da CPMI da implementação da Lei Maria da Penha, Senadora Ana Rita, se em algum momento pensariamos as mulheres que abandonaram o lar e que hoje estão sem poder acompanhar seus filhos por terem perdido a guarda, ou ainda, as mulheres que cometeram suicidio.
Se, conforme lemos acima, é tão dificil decidir pelo PARTIR, sabendo que o partir sem apoio é praticamente impossivel.
Se, nem a familia e amigos sabem do que acontece, uma eficiente estratégia do agressor é o de isolar a vitima de suas relações sociais e familiares.
Se, o estado mantem-se omisso com medidas de proteção, não há instrumentos que façam o enfrentamento, as delegacias não são especializadas, não há entendimento inclusive da sociedade que "em briga de marido e mulher a gente mete sim a colher".
Se não há uma fórmula mágica para romper com o ciclo de violência, a mulher não encontra a solução para o fim da violência, ao invés de ficar ou partir, ela desiste. E a única saída possível para algumas mulheres pode ser o abandono e em alguns casos, pode ser o próprio suicídio.
Para Marie-France Hirigoyen, em seu livro “A violência no Casal – da coação psicológica à agressão física” - As mulheres vítimas de violência são, muitas vezes, censuradas por não reagir, por serem excessivamente submissas, mas, na realidade não fazem mais do que desenvolver estratégias de adaptação para limitar a violência do parceiro e preservar o casal e a família. Mantidas em estado de dependência psicológica e sofrendo violências, continuam acreditando que só esse homem é capaz de protegê-las do mundo exterior. Por isso, a perspectiva de se encontrarem sem recursos e em carinho é para elas mais temível que a própria violência. Se relutam tanto em sair dessa situação, é porque não é tão simples assim sair da sujeição. É uma prolongada tomada de consciência que requer apoio, a fim de conseguir perceber as ´armadilhas`. Muitas mulheres ficam em cima do muro, não querendo continuar a suportar a violência, mas também não sabendo como sair dessa situação.
Penso que para rompermos definitivamente com a violência doméstica e familiar contra as mulheres, faz-se necessário que alguns atores sociais cumpram com seu papel, que vai desde um novo marco regulatório para a comunicação - não adianta a Globo fazer uma matéria sobre violência se mantem um BBB no ar pregando a violência. As mudanças de conceitos sobre família com a contribuição das Igrejas - que teimam em afirmar em seus sermões que as mulheres devem obediência aos seus maridos e que fomos expulsos do "Paraíso" por responsabilidade de Eva. E, um ponto que penso ser fundamental, um intenso e amplo debate sobre a sociedade capitalista que vivemos, que transforma pessoas em coisas e nos dão o direito de acreditar que somos donos do corpo, da mente, das vontades de quem dizemos amar.
Beijarinhos Meus a quem passar por aqui e ler. E se gostou, compartilha!

Psiquiatra francesa defende que juízes trabalhem com psicólogos e médicos em processos de assédio moral


02/05/2012 - 18:18 Fonte: ABr

Especialista em assédio moral e psicológico, a médica psiquiatra francesa Marie-France Hirigoyen alertou hoje (2) os juízes sobre a importância de trabalhar com psicólogos e médicos ao analisar processos sobre assédio moral. No 16º Congresso Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Conamat), evento que ocorre até sexta-feira (4), Marie-France defendeu que os juízes desenvolvam sua sensibilidade para identificar o assédio moral e qual é o limite entre o aceitável e o não aceitável nas relações de trabalho.

Promovido pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), o 16º Conamat trata de temas como a prevenção de acidentes de trabalho, a precarização do direito do trabalho, o assédio moral, a saúde dos magistrados e as mudanças no mundo do trabalho.

A psiquiatra destacou a importância de identificar a diferença entre o falso e o verdadeiro nos processos de assédio moral. “Muitas pessoas confundem assédio moral com conflito. O assédio não é um conflito. O conflito é algo simétrico em que duas pessoas não concordam, mas há espaço para argumentação e expressão”, disse.

Segundo Marie-France, o combate ao assédio moral está na prevenção, abordagem que vem ganhando corpo nos países europeus, inclusive na França. “Há obrigação para as empresas de tomar medidas que garantam a saúde e a segurança dos trabalhadores. O direito francês passou de uma lógica de reparação para uma obrigação de prevenção. A prevenção é uma verdadeira oportunidade de modernização das relações sociais e humanas na sociedade”, observou.

No Brasil, faltam dados estatísticos sobre o número de processos de assédio moral, tanto no Ministério Público do Trabalho quanto no Tribunal Superior do Trabalho. Com isso, não há como dimensionar o impacto desse comportamento nas relações de trabalho. Na França, de acordo com Marie-France, pesquisas feitas por médicos do trabalho estimam de que 7% a 8% de assalariados sofram assédio moral. A especialista afirma ainda que o grande problema não é mais falar e, sim, provar que se está sofrendo algum tipo de discriminação.

Marie-France também falou da experiência sobre a participação que os juízes tiveram na formulação da lei francesa. “A lei foi construída pelos juízes, pela jurisprudência. Eles fizeram a lei como ela é para dar uma melhor proteção aos trabalhadores. Foi graças à jurisprudência que começamos a conhecer aquilo que era preciso fazer”.

O assédio moral é previsto na França nos códigos do Trabalho, dos Servidores e Penal. Como pena, é prevista a reclusão por um ano ou multa de 15 mil euros. A psiquiatra esclareceu que a legislação francesa não pune apenas o assédio cometido por pessoas hierarquicamente superiores em relação à vítima, mas também entre colegas de trabalho e quando vem de subalternos que procuram desqualificar seus superiores hierárquicos.

A psiquiatra explicou ainda que, no caso da lei trabalhista, o assédio moral pode se constituir independentemente do seu autor e mesmo que não haja intenção de prejudicar, o que não ocorre na lei penal, onde se exige uma intencionalidade, um comportamento consciente. A psiquiatra chamou a atenção sobre a forma como as pessoas vêm sendo forçadas a se adaptar ao mundo do trabalho contemporâneo. “Queremos pessoas doces, robôs, obedientes”, lamentou Marie-France.

Segundo ela, ainda que não há espaço para o conflito e para as diferenças nas corporações. “Não é porque temos um bom salário que temos o direito de ser desrespeitados. Essa utilização das pessoas leva a um desencantamento, uma decepção”.

Cida Rezende - A jornalista viajou a convite da Anamatra

terça-feira, 1 de maio de 2012

APOIO AO LÍDER AHMAD SA'ADAT



URGENTE TODO NOSSO APOIO AO LÍDER AHMAD SA'ADAT - EM GREVE DE FOME NA PRISÃO ISRAELENSE - LEIA E COMPARTILHE

http://english.pnn.ps/index.php/prisoners/1507

Neste domingo, 29 de abril, foi transferido da Prisão Ramon o líder Ahmad Sa'adat para Ramle hospital da prisão. Sa'adat é secretário-geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina, e está em isolamento por mais de três anos na prisão Ramon. Ele está em greve de fome desde 17 de abril e tem mais de 2000 prisioneiros palestinos apoiando a greve e fome..Os presos se recusaram a parar agrevedefome, dizendo que eles estão comprometidos em atingir as demandas de pleno direito da greve em unidade com todos os prisioneiros, inclusive terminando todo o isolamento, terminando a detenção administrativa e apoio aos direitos a visitas de família, educação e meios de comunicação para os presos.Sa'adat perdeu 6 kg até agora. Esta nova greve de fome acontece apenas breves meses após sua última greve de fome prolongada, a partir de 27 setembro - 20 outubro, pedindo um fim ao isolamento e confinamento solitário. Centenas de prisioneiros se juntaram a esta greve como um ataque as falsas promessas de Israel para acabar com o isolamento que foram ignoradas após a troca de prisioneiros. Sa'adat perdeu dezenas de quilos durante a greve anterior.Sa'adat foi seqüestrado em 2006, da Prisão de Jericho, administrada pela Autoridade Palestina. Estava com cinco outros prisioneiros, incluindo quatro de seus companheiros sob vigilância dos EUA e britânicos desde 2002. Sua prisão havia sido considerada ilegal pelo Tribunal Palestino e ele foi eleito para o Conselho Legislativo da Palestina,. Em 16 de março de 2006, as forças de ocupação israelenses atacaram a prisão e Sa'adat foi sequestrado e seus companheiros de prisão tamém. Ele é agora um dos 19 prisioneiros palestinos em isolamento.A Frente Popular para a Libertação da Palestina emitiu uma declaração em resposta à notícia de que Sa'adat foi transferido para o hospital da prisão, dizendo que a FPLP " o governo de ocupação é totalmente responsável por quaisquer consequências pela vida do Secretário-Geral Sa ' adat e todos os prisioneiros heróicos que estão lutando através da greve de fome, a fim de atender as suas justas reivindicações, especialmente terminando solitária. Temos grande orgulho do nosso líder nacional Ahmad Sa'adat, que está na batalha de greve de fome... confirmamos o nosso total apoio ao movimento da greve dos prisioneiros... e chamamos todos os movimentos, em todos os níveis, para apoiar os presos em sua greve nas prisões da ocupação e apoiar as suas exigências para que sejam implementadas."A conferência de imprensa foi realizada na noite de domingo em Wattan Media Centre em Ramallah para chamar a atenção para a situação Sa'adat de saúde. Khalida Jarrar, um membro do Conselho Legislativo da Palestina com a FPLP, disse que "os presos em greve de fome não devem ser prejudicado. O estado de ocupação (Israel) sabe muito bem que nosso povo é capaz de proteger e responder a ameaças perigosas para os nossos prisioneiros e líderes . " Ela apelou aos líderes políticos palestinos a agir imediatamente e rapidamente para proteger os prisioneiros, e para que cessem imediatamente todas as formas de cooperação de segurança com a ocupação. Ela também pediu aos países árabes que têm laços com o estado de ocupação para quebrá-las imediatamente e expulsar os embaixadores da ocupação.Jarrar disse que Sa'adat foi transferido sem o conhecimento de ninguém para o hospital da prisão, algo que só descobriu quando procurou um advogado para conversar com ele na prisão de Ramon. Ela também notou especial preocupação para a saúde dos bravos grevistas Thaer Halahleh e Diab Bilal, que estão em greve de fome de 62 dias. Ela observou que o isolamento é uma das razões mais urgentes para a greve, dizendo que é uma das ações mais perigosas por parte do Serviço Prisional contra os líderes, incluindo Mahmoud Issa, que foi isolado desde 2002.Abla Sa'adat, esposa Sa'adat, disse que o marido não poria fim à sua greve até que seus objetivos sejam alcançados, incluindo terminando confinamento solitário e permitindo visitas de familiares dos prisioneiros de Gaza que foram proibidos por seis anos. Sa'adat falou sobre a última mensagem de seu marido, enfatizando a necessidade de união para apoiar os prisioneiros. Ela expressou grave preocupação para a vida do marido, notando que esta é sua segunda vez em greve de fome em seis meses. Ela clama o povo palestino e seus apoiadores em todos os lugares para participar em eventos e ações de apoio aos prisioneiros, dizendo que tal ação é importante para o sucesso da greve.Issa Qaraqe, o Ministro dos Negócios prisioneiros e detidos ", pediu a Assembleia Geral da ONU a convocar uma sessão especial para tratar do caso dos prisioneiros. Ele observou que o governo de Israel é totalmente responsável pela catástrofe humanitária que pode atingir aos prisioneiros e que o estado está cometendo crimes de ocupação contra os prisioneiros através de leis arbitrárias e tratamento racista, injusto, cruel e desumana. Ele disse que a greve continuaria a crescer na próxima semana, o que traria uma explosão nas ruas palestinas.

Palestina livre!
Viva a Intifada!
Resitência até a vitória!

Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino
"Um beduíno sozinho não vence a imensidão do deserto, é preciso ir em caravana"
www.vivapalestina.com.br
www.palestinalivre.org

Violência contra a Mulher - SC 2014