quarta-feira, 8 de abril de 2015

Aprovar o Projeto de Lei nº. 4330/04 é regulamentar uma das formas mais perversas de violência no trabalho.


Há séculos afirmamos que "o estudo da sociedade começa quando tomamos consciência de que o modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento da vida social, política e intelectual em geral" (Marx). Quando precarizamos as relações de trabalho, precarizamos a saúde, segurança e a qualidade de vida de trabalhadores e trabalhadoras. 






Vejamos algumas considerações:


FATO: A precarização assumiu o eixo principal em que se move capital e trabalho, as terceirizações do trabalho, do emprego, da saúde, da educação, e as relações de subordinação e de grande competição entre as empresas terceirizadas levam a um "Dumping Social", em que o trabalho infantil, o trabalho escravo ou a falta de respeito aos padrões trabalhistas servem como fatores diferenciais na composição do preço dos produtos.


FATO: De demônios e pecadores, “se você sofre, fica doente, erra, é por que você pecou” (Ricoeur,1960), passamos por “gorilas dóceis adestrados” (taylorismo) e chegamos aos colaboradores, parceiros, consultores, voluntários, aparentemente mais livres, desregulamentados com relação aos direitos trabalhistas e organização sindical fragmentada.


FATO: Vivenciamos a era da coisificação do ser humano e adoecimentos na era da empresa flexível enxuta sem laços com riscos, ou seja, as novas formas de organização do trabalho, inspiradas no toyotismo, ou modelo japonês.



As várias formas de precarização, de acordo com a Dra Tania Franco (UFBA):


- precarização de vínculos e relações contratuais – os contratos existem mas não são respeitados, burlar a legislação virou hábito, a perda dos benefícios indiretos como planos de saúde, alimentação e transporte; desestabilização dos estáveis e instáveis (terceirizados);


- precarização das condições de trabalho e organização – aumento de ritmo, controle mais rígido, monitoramento e intensificação de metas inalcançáveis, aumento da jornada, acúmulo de funções, rotatividade, exposição alta a riscos;


- precarização da segurança no trabalho – não há políticas de treinamento aos terceirizados, falta informação para os riscos (década de 80 não há riscos, década de 90 há riscos e podemos controlá-los), falta medidas protetivas de trabalho, terceirizados se sujeitam aos riscos para não serem demitidos;


- precarização de representação coletiva e organização sindical, visando à resistência – produz discriminação entre estáveis e instáveis terceirizados são um incômodo estrangeiro. Condições diferenciadas entre estáveis e instáveis, estatutos diferenciados. Discórdia entre sindicatos com quem defende quem, sendo que está na mesma trincheira. Judicialização das questões sociais do trabalho sob a negativa de mobilização sindical.


- precarização econômica – para Beatrice Appay (pesquisadora francesa), há uma autonomia outorgada, controlada, consentida e obrigatória, onde a relação interempresas no âmbito da terceirização, diz respeito a um movimento de concentração e atomização dos aparelhos produtivos e se constitui numa estratégia utilizada pelas empresas para a expansão da subcontratação em cascata, exemplo: algumas cooperativas, empresas “filhotes” ou do “eu” sozinho.


FATO: A aprovação do PL 4330/04 representa o desmonte do trabalho socialmente protegido e veremos emergir novas expressões da questão social, como: desemprego estrutural, subemprego, descaracterização dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, subnotificações, ausência de cobertura de serviços sociais como previdenciário.


FATO: Quatro em cada cinco acidentes de trabalho, inclusive os que resultam em mortes, envolvem funcionários terceirizados; o total de trabalhadores terceirizados afastados por acidentes é quase o dobro do total registrado entre trabalhadores contratados diretamente.


FATO: Os trabalhadores terceirizados recebem quase 30% a menoas do que os diretos. Trabalham em média de 3 horas semanais a mais e permanecem menos tempo no emprego (2,5 anos contra 6 anos, em média). A taxa de rotatividade entre os terceirizados é de 44,9%, enquanto que entre os diretos, é de 22%.



Mais Dados:

Sobre a terceirização em Santa Catarina - Segundo pesquisa da CUT e do DIEESE, realizada em 2010, de um total de quase 2 milhões de trabalhadores em Santa Catarina, 27,82% (mais de 500 mil) são terceirizados. Percentual acima da média nacional de 25,5%, Santa Catarina é o segundo Estado do país em percentual, atrás apenas de São Paulo (29,32% de terceirizados).

Segurança do trabalho -  Quatro em cada cinco acidentes de trabalho, inclusive os que resultam em mortes, envolvem funcionários terceirizados. O total de trabalhadores terceirizados afastados por acidentes é quase o dobro do total registrado entre trabalhadores contratados diretamente.

Salários - Os trabalhadores terceirizados recebem quase 30% a menos do que os diretos.

Jornada e tempo de trabalho - Trabalham em média de 3 horas semanais a mais e permanecem menos tempo no emprego, 2,5 anos contra 6 anos, em média.

Rotatividade - A taxa de rotatividade entre os terceirizados é de 44,9%, enquanto que entre os diretos, é de 22%.

Trabalho Escravo - Entre 2010 e 2013, nas 10 maiores operações de resgate de trabalhadores em situação análoga à escravidão, quase 3.000 dos 3.553 casos envolviam terceirizados.

Óbitos de Terceirizados - No caso de óbitos durante o serviço no setor elétrico, em 2013 perderam a vida 61 terceirizados, contra 18 empregados diretos. Na construção de edifícios, foram 75 falecimentos de terceirizados num total de 135 mortes. Nas obras de acabamento, os terceirizados foram 18 do total de 20 óbitos, nas de terraplanagem, 18 entre 19 casos e nos serviços especializados, 30 dos 34 casos detectados.



CONCLUSÃO: Ou despertamos em trabalhadores e trabalhadoras a consciência de classe e a importância de nos organizarmos e lutarmos por nossos direitos, ou vamos acompanhar um cotidiano de violência ainda mais perversa, beirando a barbárie. Com um Congresso, onde a ampla maioria faz parte de um bloco formado pelas bancadas "da bala, do boi, da bíblia" (Maria Frô) e acrescento a da "bufunfa", restará a classe trabalhadora unificar ações e, definitivamente, ir para o embate.










quarta-feira, 25 de março de 2015

Avanços e desafios em um cotidiano de violência


Relatório sobre avanços e desafios para a implementação das políticas públicas de enfrentamento a violência contra a mulher em Santa Catarina. Março/2015

Considerações sobre a importância das políticas públicas do governo federal para a vida das mulheres, com dados e observações;
Dados da violência contra a mulher em Santa Catarina, em 2014 (fonte SSP/SC)
Questionamentos sobre a omissão do poder público para com as mulheres em situação de violência.

Clique Aqui

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Entendendo o sobe e desce da bolsa em 08/10





Leia os links abaixo e tire suas conclusões


No dia de hoje a Bolsa de Valores subiu... subiu... 

De repente caiu... caiu...

Entenda http://www.brasil247.com/pt/247/economia/156324/Rumor-de-escândalo-sobre-PSDB-derruba-Bolsa.htm

Circulando pela internet uma série de denuncias contra o "bom moço amigo dos patrões" inclusive esta, http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2014/10/08/grampos-da-pf-tem-caixa-2-de-campos-e-pegam-psdb/

Depois largam uma Pesquisa feita pelo aquém e o além de alguém que gastou R$ 62 mil e que irá compor governo do correligionário amigo, leia:http://www.ocafezinho.com/2014/10/08/diretor-do-instituto-parana-e-nomeado-para-estatal-tucana/

domingo, 15 de junho de 2014

Reflexões em uma tarde de domingo

Seria certo afirmar que nosso maior erro está em não termos dialogado mais sobre "que projeto de país propomos"?

Ano passado, durante as manifestações dos estudantes, um dos meus filhos disse: "Mãe vocês fizeram a juventude pensar". Com certeza, ampliamos as vagas nas Universidades e ensino Técnico, democratizamos o acesso a informação, implementamos ações afirmativas incluindo mulheres, jovens, negros, idosos, deficientes, mas não conseguimos  dialogar e mostrar a importância deste processo para a construção de uma sociedade equânime, sequer sabem o que é equidade.

O Brasil tem mais de 100 milhões de pessoas vivendo na classe média, com trabalho formal, acesso ao crédito, a casa própria, inflação controlada, desemprego em queda constante, salário com reajuste real anualmente; Mas não conseguimos dialogar sobre a importância do bolsa familia para a vida dos milhões de miseráveis que viviam na linha extrema da pobreza.

Por várias vezes me vejo fazendo um comparativo entre o que acontece na sociedade e o que acontece dentro das nossas casas, nas nossas relações familiares e de amizade. Algumas pessoas podem não concordar mas vale a pena refletir, pois ambas relações são frutos da sociedade em que vivemos.

Em uma relação entre pais, mães e filhos, é preciso ter presente vários elementos para que construam laços de amor e solidariedade, laços estes que serão reproduzidos em suas relações para fora do meio familiar. Afinal, somos o que o meio nos educa a ser. Se temos amor, amamos. Se temos compreensão, compreendemos. Se há informação, reproduzimos. Se há objetivos comuns, traçamos metas que viram objetivos de vida e nos esforçamos a cumpri-las.

Por outro lado, se não temos essa relação de cumplicidade, se não temos objetivos comuns, cada membro da família vai buscar os seus desejos pessoais. E se suas necessidades pessoais são supridas por outras formas que não por esta busca, os sonhos e desejos não mais as movem. Se tudo tenho e nada me falta, que sentido há?

Penso que isso vale tambem para outras formas de relação.

Há dias, em um onibus a caminho de casa, fui conversando com uma senhora (dona de casa) e percebi que uma de suas atividades cotidianas teria sido arrancada de sua vida e ali tinha ficado um vazio inconfessável. Conversando sobre a dificuldade de encontrar uma faxineira, ela diz a seguinte frase: "menina, há uns anos, próximo a minha casa tinha uma família enorme que precisava de ajuda, sempre dávamos alimentos, roupas, em troca eles cortavam a grama e uma das moças fazia faxina lá em casa. Hoje é uma dificuldade para encontrar alguem", perguntei o que tinha acontecido com a família e ela me respondeu: "tem gente fichada numa empresa nova que abriu lá, outro abriu uma empresa de limpar jardim e caixa dagua e a que me fazia faxina abriu uma portinha de costura", sorrindo complementou: "ganhei uma costureira mas perdi a faxineira".

Fiquei curiosa e quis saber mais, ela me falou que a costureira fez um curso de costura do governo e "é ajeitadinha na costura", "estão com dois filhos na faculdade e um na escola técnica, dá gosto de ver". A família não precisou mais da ajuda dela e ela me disse com todas as letras: "todo dia eu cuidava as sobras de comida lá em casa e levava pra eles, mas hoje é uma dó só jogar a comida no lixo, mas as roupas eu levo todo ano na igreja".

E, próximo ao seu ponto de desembarque, ela finaliza nossa conversa dizendo: "minha mãe me ensinou a ajudar quem precisa, assim eduquei meus filhos e farei com meus netos, mas fazer o que se não tenho alguem próximo para ajudar".

Essa conversa com a Sra Celia me trouxe a seguinte reflexão:

Há 20 anos...

Planejávamos por anos a compra da casa própria, de um carro, uma viagem, o que faríamos com o décimo terceiro, economizávamos para um filho fazer cursinho e entrar na faculdade, a "caderneta de poupança recheada" era uma grande conquista, concurso público era o foco por ser o mais seguro. Nossa perspectiva de solidariedade era a de "ajuda" e não a de termos uma sociedade justa e igual, com direitos e acessos a esses direitos de forma equânime.

Pergunto:

Seria muita crueldade afirmar que os que odeiam o Bolsa Familia não o odeiam por ser uma política social, mas pelo fato de não terem mais a quem dar "esmolas" ou barganhar favores?

Seria esta a "Era das distopias" que a Conceição Tavares falaEstaríamos vivendo uma época de falta de projetos, objetivos, sonhos e desejosEstaríamos construindo uma pátria de filhos mimados, individualistas e intolerantes, onde o ter está acima do ser

Se sim, o que fazer para resgatarmos a consciência de classe que nos motivou a chegarmos até aqui?

Violência contra a Mulher - SC 2014