quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Sobre o Aborto e a SAúde da Trabalhadora

Acho ótimo este debate virar pauta nacionalmente.
O aborto é tambem uma questão de saúde do trabalhador, ou melhor, da trabalhadora e deveria ser tratado com mais responsabilidade, tanto por gestores quanto por técnicos da área. Quantas mulheres voces acham que já induziram o aborto em função do medo de perder o emprego pelo "simples" fato de estarem grávidas e ouvirem cotidianamente o quanto isso a prejudicará no trabalho?
Deixemos de ser hipócritas, a luta do movimento feminista é garantir que as mulheres que não queiram ter filhos, tenham o direito de serem atendidas pelo SUS e não sofrerem um processo crime em função disto, ou morrerem na mão de um açougueiro ou por hemorragia, chega de promover a industria Cytotec neste país e ficar de olhos fechados a essa violência. Quem tem condições financeiras para pagar uma boa Clínica que realize o aborto, está garantida, quem não tem conta com a sorte.
Duvido que haja uma família neste país que não passou por este dilema "tiro ou não tiro... não era a hora... ", seja mãe, filha, sobrinha, tia, afilhada, amiga...
Mulheres que correm o risco de serem presas se denunciadas, mas os homens que tambem teem responsabilidade sobre este feto, estes são apenas julgadores. Sendo que muitos foram incentivadores.
Discordo quando dizem que o aborto é uma questão de mulher, o aborto é uma questão de saúde pública e como tal tem que ser tratado!
Hipócritas machistas desumanos, estes sim deveriam ser presos cada vez que uma mulher morre ou fica mutilada em função de não ter os cuidados necessários.
Discursos baratos de proteção a vida em função de dogmas... vamos discutir a pedofilia, os estupros de jovens e crianças, a riqueza das igrejas, os terrenos no céu, os engodos, ou calem-se!
Sou a favor do aborto e não descansarei enquanto não for descriminalizado.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Sou Militante, sem sonhos não vivo...

Esta no You tube, mas ai vai um trecho do discuso do Presidente do
Uruguai, Jose Pepe Mujica, sobre a militância:

"Que seria deste mundo sem militantes?
Como seria a condição humana se não houvesse militantes?
Não porque os militantes sejam perfeitos, porque tenham sempre a
razão, porque sejam super-homens e não se equivoquem. Não é isso.
É que os militantes não vem para buscar o seu, vem entregar a alma por
um punhado de sonhos.
Ao fim e ao cabo, o progresso da condição humana depende
fundamentalmente de que exista gente que se sinta feliz em gastar sua
vida a serviço do progresso humano.
Ser militante não é carregar uma cruz de sacrifício.
É viver a glória interior de lutar pela liberdade em seu sentido transcendente".

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Votem lá...

Enviei uma proposta para os Embaixadores de Santa Catarina

vota lá...

http://embaixadores.sc/propostas/gostaria-de-ver-implementado-em-nosso-estado-um-programa-para-o-empoderamento-das-mulheres-de-sc

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

*Consolidar a ruptura histórica * - Leonardo Boff

Para mim o significado maior desta eleição é consolidar a ruptura que Lula e o PT instauraram na história política brasileira. Derrotaram as elites econômico-financeiras e seu braço ideológico a grande imprensa comercial. Notoriamente, elas sempre mantiveram o povo à margem da cidadania, feito, na dura linguagem de nosso maior historiador mulato, Capistrano de Abreu,”capado e recapado, sangrado e ressangrado”. Elas estiveram montadas no poder por quase 500 anos. Organizaram o Estado de tal forma que seus privilégios ficassem sempre salvaguardados. Por isso, segundo dados do Banco Mundial, são aquelas que, proporcionalmente, mais acumulam no mundo e se contam, política e socialmente, entre as mais atrasadas e insensíveis. São vinte mil famílias que, mais ou menos, controlam 46% de toda a riqueza nacional, sendo que 1% delas possui 44% de todas as terras. Não admira que estejamos entre os países mais desiguais do mundo, o que equivale dizer, um dos mais injustos e perversos do planeta.

Até a vitória de um filho da pobreza, Lula, a casa grande e a senzala constituíam os gonzos que sustentavam o mundo social das elites. A casa grande não permitia que a senzala descobrisse que a riqueza das elites fôra construída com seu trabalho superexplorado, com seu sangue e suas vidas,
feitas carvão no processo produtivo. Com alianças espertas, embaralhavam diferentemente as cartas para manter sempre o mesmo jogo e, gozadores, repetiam: “façamos nós a revolução antes que o povo a faça”. E a revolução consistia em mudar um pouco para ficar tudo como antes. Destarte, abortavam a emergência de um outro sujeito histórico de poder, capaz de ocupar a cena e inaugurar um tempo moderno e menos excludente. Entretanto, contra sua vontade, irromperam redes de movimentos sociais de resistência e de autonomia. Esse poder social se canalizou em poder político até conquistar o poder de Estado.

Escândalo dos escândalos para as mentes súcubas e alinhadas aos poderes mundiais: um operário, sobrevivente da grande tribulação, representante da cultura popular, um não educado academicamente na escola dos faraós, chegar ao poder central e devolver ao povo o sentimento de dignidade, de força histórica e de ser sujeito de uma democracia republicana, onde “a coisa pública”, o social, a vida lascada do povo ganhasse centralidade. Na linha de Gandhi, Lula anunciou: “não vim para administrar, vim para cuidar; empresa eu administro, um povo vivo e sofrido eu cuido”. Linguagem inaudita e instauradora de um novo tempo na política brasileira. A “Fome Zero”, depois a “Bolsa Família”, o “Crédito consignado”, o “Luz para todos”, a “Minha Casa, minha Vida, a “Agricultura familiar, o “Prouni”, as “Escolas profissionais”, entre outras iniciativas sociais permitiram que a sociedade dos lascados conhecesse o que nunca as elites econômico-financeiras lhes permitiram: um salto de qualidade. Milhões passaram da miséria sofrida à pobreza digna e laboriosa e da pobreza para a classe média. Toda sociedade se mobilizou para melhor.

Mas essa derrota inflingida às elites excludentes e anti-povo, deve ser consolidada nesta eleição por uma vitória convincente para que se configure um “não retorno definitivo” e elas percam a vergonha de se sentirem povo brasileiro assim como é e não como gostariam que fosse. Terminou o longo amanhecer.

Houve três olhares sobre o Brasil. Primeiro, foi visto a partir da praia: os índios assistindo a invasão de suas terras. Segundo, foi visto a partir das caravelas: os portugueses “descobrindo/encobrindo” o Brasil. O terceiro, o Brasil ousou ver-se a si mesmo e aí começou a invenção de uma república mestiça étnica e culturalmente que hoje somos. O Brasil enfrentou ainda quatro duras invasões: a colonização que dizimou os indígenas e introduziu a escravidão; a vinda dos povos novos, os emigrantes europeus que substituíram índios e escravos; a industrialização conservadora de substituição dos anos 30 do século passado, mas que criou um vigoroso mercado interno e, por fim,
a globalização econômico-financeira, inserindo-nos como sócios menores.

Face a esta história tortuosa, o Brasil se mostrou resiliente, quer dizer, enfrentou estas visões e intromissões, conseguindo dar a volta por cima e aprender de suas desgraças. Agora está colhendo os frutos.

Urge derrotar aquelas forças reacionárias que se escondem atrás do candidato da oposição. Não julgo a pessoa, coisa de Deus, mas o que representa como ator social. Celso Furtado, nosso melhor pensador em economia, morreu deixando uma advertência, título de seu livro *A construção interrompida*(1993):”Trata-se de saber se temos um futuro como nação que conta no devir humano. Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromper o nosso processo histórico de formação de um Estado-Nação”(p.35). Estas não podem prevalecer. Temos condições de completar a construção do Brasil, derrotando-as com Lula e as forças que realizarão o sonho de Celso Furtado e o nosso.

Violência contra a Mulher - SC 2014