Certa vez me perguntaram o motivo de gostar tanto das borboletas, expliquei o que significa pra mim o processo de metamorfose que nós mulheres passamos, quando há a possibilidade de nos permitirmos criar asas.
Passar por este processo é dolorido, requer transformações profundas, do que pensamos, apreendemos durante a vida, na escola, na igreja, na sociedade que vivemos e principalmente, com a nossa família.
Fomos educadas para "cuidar", não de nós, mas das outras pessoas. Educadas para cuidar da casa, dos filhos, do companheiro. Ter uma familia padrão. E se nossos filhos ou filhas não forem bem criados, ou nosso "marido" não prosperar, ou nossa casa não estiver perfeitamente funcionando, estará declarada nossa incompetencia enquanto mulher.
Essa vida de "culpas" nos deixa rastejando feito larvas, como se não fizessemos parte do mundo dos capazes, pensantes, agentes de transformação.
Mas imaginem a sociedade sem os nossos cuidados e o trabalho diário das donas de casa.
Quando conseguimos perceber que não somos culpadas pelas dores do mundo, que Eva não foi culpada por comer a maçã, que nascemos com as mesmas condições de igualdade e com a capacidade de transformar, produzir mais que apenas o trabalho doméstico.
Quando compreendemos que o mundo tambem nos pertence, que há direitos conquistados.
Que a nossa capacidade de pensar, formular e transformar é igual a de qualquer outro.
Quando há este despertar, de nos conhecermos enquanto mulheres e que podemos ir além de amar e cuidar, é sinal que estamos em nossos "casulos", quietinhas, modificando nosso pensar, avaliando possibilidades, propondo mudanças para nós mesmas.
Ao ficarmos "prontas", fortalecidas, completas, certas do que podemos e devemos fazer, está na hora de rompermos com os medos e os receios.
Vamos rompendo as barreiras que nos foram colocadas, quebramos a casca do casulo e percebemos que nos tornamos lindas Borboletas e que podemos voar em busca de nossos sonhos e desejos, sem culpas.
Que muito mais que apenas gerar, temos o poder de transformar.
Podemos transformar o mundo, a exemplo de tantas mulheres que romperam seus casulos e lutaram a vida inteira por um mundo melhor, justo, igual.
E no dia de hoje, lembrar das irmãs Mirabal(Las Mariposas), é reafirmar o quanto é importante rompermos com o que nos colocam como verdade absoluta.
Em 25 de novembro de 1960, depois de serem presas e torturadas varias vezes por fazerem oposição ao governo ditador de Trujillo, as irmãs Mirabal foram barbaramente assassinadas.
A morte de Patria Mercedes Mirabal, Minerva Argentina Mirabal e Antonia Maria Teresa Mirabal, deixou a população da Republicana Dominicana extremamente comovida, e os ideais de "Las Mariposas" modificou o pensar de todo o país.
Em 17 de dezembro de 1999, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou que 25 de novembro é o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, em homenagem as "Las Mariposas".
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Quero apenas reafirmar, somos capazes de romper e criar asas!!!
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Para Onde Vai a Folha?
Recebi o email abaixo, leiam até o final, vale a pena!
Mensagem enviada à Ombudsman da Folha de São Paulo - Suzana Singer
Cara Suzana Singer: acompanho as suas colunas todas as semanas. Sei da tarefa espinhosa que é criticar o jornal que paga o seu próprio salário. Dentro disso, acho que talvez dos Ombudsmen que a Folha teve nestes anos todos, você seja a mais isenta e mais crítica, defendendo mais os interesses reais dos (as) leitores (as) e mesmo de um jornalismo equilibrado, nos moldes do Independent ou Guardian, ambos londrinos.
Quero me apresentar. Sou militante do PCdoB. Assinante do jornal há décadas, como também do Estadão. Por dever de oficio, como professor universitário que fui por 20 anos (Unimep, 1986 a 2006) e um sedento e viciado em informações, leia avidamente ambos os jornalões desta burguesia paulista, além do Valor que leio emprestado.
Estou impressionado com a linha editorial cada dia pior da Folha. Até o Estadão tem conseguido ser melhor aos finais de semana, mais equilibrado, ainda que também sofrível. Mas a Folha... Nada mais tem a ver com a Folha das Diretas Já, quando dava gosto ler seu jornal. Hoje ela esta intragável. Cada dia mais denuncista, mais pró-imperialista, mais neoliberal, em defesa de um modelo de capitalismo financeiro que vai acabando com e no mundo todo. Uma Folha cada vez mais pró-Israel e sionista, antiárabe e antipalestina. De todos os seus colunistas, quem escapa a esse modelo?
Na linha do Globo e da Veja, que viraram partidos políticos, a Folha envereda-se pelo mesmo caminho. Faz sistemática e constante oposição, raivosa muitas vezes, contra o governo federal, a quem não tolera de forma alguma. Atacou, mentiu e perseguiu o governo de um presidente operário por oito anos seguidos, depois de ter apoiado e idolatrado por outros oito anos o queridinho da mídia, FHC de triste lembrança. A Folha e as elites não aceitam que Lula tenha deixado o país com 73% de popularidade e hoje tenha incríveis 85%. Medidos pelo mesmo Instituto de propriedade do jornal, o Data Folha, de meu colega Mauro Paulino. A Folha e a mídia nativa não tolera que esse operário tenha elegido a 1ª mulher na história deste país – uma guerrilheira, torturada e lutadora contra a ditadura.
A suíte iniciada domingo contra o ministro Orlando Silva Jr. nosso camarada é tudo que um jornalismo não deve ser nem deve perseguir. A única e honrosa exceção esta em uma matéria hoje no Valor falando sobre o que teríamos por trás dessas denúncias. Claro, olho grande em um ministério que cresceu e se fortaleceu sob o comando dos comunistas. Que trouxe a Copa e as Olimpíadas para nosso Brasil. E a própria cobertura do seu jornal sobre as obras da Copa é como se o país inteiro, sua imprensa e suas elites, torcessem para dar tudo errado. A Veja chegou a dar uma capa que mencionava que as obras da Copa terminariam apenas daqui a 95 anos! E a Folha faz coro com isso. E acredite, Suzana, todas as 14 arenas serão rigorosamente entregues em dezembro de 2013, seis meses antes do início da Copa.
Recentemente o presidente Lula recebeu seu terceiro ou quarto título de doutor honoris causa. O seu jornal não dedicou quase nenhuma linha a isso. Claro, sei que você é remunerada para analisar a Folha. Às vezes também comenta sobre outros órgãos concorrentes. Mas, a blogosfera noticiou como a imprensa cobriu esse episódio em Paris. Como diz um blogueiro, para saber sobre Lula hoje temos que dominar o inglês, o francês e o espanhol, para podermos ler respectivamente no NYT, no Monde e no El País. Em português não se fica sabendo de nada ou sabe-se de forma enviesada. Você deve ter visto a que a correspondente do Globo fez ao diretor da Science Po, onde indagou porque o prêmio não havia sido dado ao ex-presidente e “príncipe” (sic) da Sociologia. Aqui, faço breve parêntese. Presidi a Federação Nacional dos Sociólogos deste país e atuei na liderança dos sociólogos e professores de Sociologia para que nossa ciência pudesse ser lecionada de forma obrigatória em todas as escolas médias do país, como no mundo civilizado. Pois bem. O tal “príncipe” da Sociologia vetou uma iniciativa aprovada na Câmara e no Senado em setembro de 2001. Mas, o governo de um operário – torneiro mecânico como o próprio Lula gosta de se apresentar – sancionou a Lei em 3 de junho de 2008. Estilos distintos, não?
O denuncismo da Folha continua matando pessoas. Mata-as politicamente. Destroi biografias, macha passados e presentes honrados. Mata sem direito a defesa. O jornal quer cumprir o papel, ao mesmo tempo, de acusador (promotor), de julgador (juiz) e de executor da sentença – carrasco. Isso impressiona. Nenhum grande jornal do mundo age assim. Em nenhum país do mundo a mídia faz o que quer, fala o que quer, sob o manto de uma difusa “liberdade de imprensa”. Para defender quais interesses? Para apresentar quais propostas?
O mundo inteiro esta desabando, fazendo água. O capitalismo encontra-se sob ataque em mais de mil cidades grandes do planeta. Wall Street encontra-se ocupada por três semanas, por uma juventude muito parecida com a que participou do levante no mundo árabe, dos indignados em toda a Europa. E qual a pauta central dos nossos jornalões? Os costumes! A moral! Os jornalões e suas famílias (Mesquita, Frias, Civita, marinho) apresentam-se como os maiores vestais da moralidade, dos bons costumes. Será que retrocedemos à década de 1950? E olha, nada contra ser honesto e íntegro, como procuramos ser. Mas isso não é carta programa. Parece-me que isso é básico para homens e mulheres que procuram a vida pública. Termos como “faxina” e fotos de vassouras para o ar e isso ocupar farto espaço do caderno nacional é a única proposta que seu jornal tem para o Brasil? Porque quatro páginas hoje na Folha, como no Estadão sobre Orlando? Que justifica isso? Aonde o jornal quer chegar? Derrubar ministros, para dizer que Dilma perde uma média de um ministro por mês em seu primeiro governo? Que exatamente os que ela herdou de Lula são os mais corruptos? E o direito à dúvida, à presunção da inocência, onde fica? E o tal “outro lado da notícia”, como mando vosso manual de redação (para que serve mesmo?), qual o sentido daquelas recomendações?
Porque a Folha e o que se chama de GAFE, que inclui Globo, Editora Abril com a Veja e o Estadão seguem resistindo a qualquer tipo de regulação e controle externo? O judiciário já tem, ainda que esteja sob contestação corporativa. Todos os países civilizados o possuem. Porque aqui vocês insistem em chamar essa regulação de “censura” (sic). Quer dizer que os órgãos de mídia podem falar o que quiser, sobre quem quiser, sem nenhum tipo de controle, de direito de resposta? Só nos restam às seções de cartas e no seu caso, a coluna do Ombudsman?
Será que seu jornal não percebe que o mundo mudou? Que o modelo neoliberal de “estado fraco” (para quem mesmo?), menos impostos, deus mercado é que manda e regula tudo, BC “independente” ruiu em todo o mundo? Que a crise de 2008 só não foi pior porque o velho e bom estado vem tentando salvar todas as empresas e bancos capitalistas com recursos públicos? Mas a imprensa nacional – em especial o seu jornal, desculpe o eufemismo quando falo isso, mas quero dizer o jornal a quem você serve – não percebeu isso? E olha que quando falo de BC independente que os editoriais da Folha tanto pregaram e batem no peito a exigir a cada momento, esta sendo contestado por figuras de proa na economia, como por exemplo Delfim Neto, Luiz Carlos Bresser Pereira e Yoshiaki Nakano. Eles agora dizem em alto e em bom som: pela primeira vez o BC tomou mesmo uma decisão independente. Só que independente do tal mercado.
Páginas e páginas são dedicadas à FHC, que segue verbalizando a mesma coisa que fazia há 17 anos, mas que não servem mais. Privatizações em nenhum lugar do mundo deram certo. Redução de impostos só beneficiam os ricos. O bolsa família não é bolsa esmola. É o maior programa de transferência de renda do planeta e o mais elogiado por todas as agências internacionais de apoio ao desenvolvimento da humanidade. Um programa premiadíssimo. Mas só a Folha, Globo e Estadão com apoio de Veja não viram isso. E todos esses órgãos, invariavelmente, vivem de anúncios, transformando a notícia em mera mercadoria à serviço dos seus donos, dos seus acionistas, de suas famílias e de uma elite branca e preconceituosa que odeia o seu próprio povo. Que torce para que tudo dê errado. Que não vibra quando o Brasil progride, quando diminuímos a desigualdade. Uma elite milionária que olha para o Norte, que teve suas proles educadas na Europa e nos “states”.
Vocês, jornalistas, não sabem dos dados, das informações? Um exemplo pequeno, onde atuei por duas décadas. O ensino superior público no país. FHC, de quem seus patrões tanto gostam, como seus amigos que literalmente aparelham o maior Estado do país, o de SP, com Alckmin e caterva, governou com o neoliberal Paulo Renato na educação e não foi capaz de criar uma única nova universidade federal. Lula, sem diploma de curso superior – imperdoável isso! – criou doze universidades federais em oito anos! E expandiu como nenhum outro na história o ensino superior. Hoje um doutor é contratado em uma IFES, com 20 horas e recebe pelo menos 7,5 mil reais ao mês! Quase que nos igualamos aos padrões de remuneração internacionais. Claro, ainda falta muito. Outro dado simples que Lula sempre mencionou. Entre 1900 e 2002, portanto em 102 anos, foram criadas 200 escolas técnicas no país. Lula em oito anos criou outras 200 escolas. Criou o PROUNI, hoje garantindo que quase um milhão de pessoas das classes “D” e “E” possam estudar e ter seu diploma de ensino superior. Eu poderia falar da nossa querida Petrobras, que FHC queria PETROBRAX (sic). Era a 15ª petroleira do mundo e quase foi privatizada. A imagem que tínhamos dela era a plataforma P-52 emborcada (posso estar errando o número, pois escrevo de cabeça e sem pesquisa). E fabricada no exterior. Com 27 mil empregados, não dava lucro algum, com dois terços do seu capital que reparte lucros e dividendos nas mãos de particulares e estrangeiros. Hoje, somos a 4ª petroleira do mundo. Temos o pré-sal, temos 110 mil empregados e nos orgulhamos disso. Poderia dar-lhe dados e mais dados. Mas fico com estes apenas, aos quais reconheço, podem ter algumas imprecisões.
Vejam os espaços editoriais que são concedidos ainda à FHC. Páginas e páginas de entrevistas, artigos assinados. Que esse senhor tem a dizer? E mesmo sobre Aécio. Seu editorialista Ricardo Melo, se não me falha a memória, criticou as duas páginas que o Estadão concedeu ao Aécio para que este laçasse a sua candidatura antecipada à presidência em 2014. Duas longas páginas. Seu editorialista ficou indignado! Por razões de oficio – eu também fiz isso – teve que ler a longa entrevista e nada encontrou que justificasse o espaço. Uma proposta sequer é apresentada. Um vestal da moralidade – ainda que tenha fugido do teste do bafômetro no Rio e até hoje não explique porque a rádio de sua irmã tem dez carros, a maioria importados, em seu nome – defendendo um abstrato “choque de gestão” (sic). Uma campanha udenista em pleno século XXI! Que proposta tem esse senhor para o país? O que ele defende para sairmos da crise? Quais são seus programas para diminuir e mesmo acabar com a horrenda desigualdade ainda existente no nosso Brasil? Que fazer para enfrentarmos a crise internacional, os ataques especulativos à nossa economia? Será que ele defende a queda brusca dos juros? Ou defende a maior transferência de renda para os mais ricos do país, que é a astronômica e vergonhosa taxa de juros de nosso país? Aliás, qual a posição de seu jornal sobre isso? Vi na edição de 1º de setembro, o Day After da primeira vez em que o BC do Brasil tomou uma atitude verdadeiramente independente – mas independente do mercado! – e foi criticado por todo mundo, encabeçado pelos Sardenbergs, as Leitões, os Mervais da vida e outros menos votados à serviço de umas 15 mil famílias e dos bancos que embolsam algo como 240 bilhões de reais ao anos de juros de nossa astronômica dívida pública. Isso é mais que o dobro de tudo que o governo federal investe em programas sociais e de transferência de renda. É o bolsa dos ricos. Esta pode e não é contestado. A outra, dos pobres, é uma vergonha! Pode isso? Não sei se você acompanha. Hoje centrais sindicais e entidades empresariais do país lançaram um vigoroso e correto movimento pela queda ainda mais acentuada dos juros aqui em SP. Apoiamos esse movimento. Esse novo pacto político entre correntes políticos e setores sociais pode estar a solução para o salto que precisamos dar (não confundir pacto com capitulação e conciliação de classes).
Não há uma linha, uma palavra de elogio dos donos de seu jornal a essas políticas. Ao contrário. Toda a linha editorial é para desqualificar essa transferência de renda. A explosão de vendas de automóveis, o congestionamento dos aeroportos – provas irrefutáveis de que uma nova e significativa parcela da população vem tendo sua renda ampliada – são mostrados como caos, como “descaso do governo” para com os aeroportos e estradas (sic).
Onde vamos parar com isso, Suzana?
Por fim, quero lhe dizer sobre meu Partido. É o mais antigo deste país com vida continuada. Não há como falar da história do Brasil no século XX sem falar do nosso PCdoB (cuja sigla em 1922 era PCB, mas surgiu fundado como sendo Partido Comunista do Brasil). Os donos de seu jornal não divulgam um Projeto para o Brasil. Nem devem tê-lo, pelo que depreendemos da linha editorial que acompanhamos (leio o seu jornal e o da família Mesquita desde que cheguei a Sampa com 16 anos em 1973 e tomei gosto pela política). Mas quero lhe dizer, que se seu jornal fizesse um jornalismo sério, não adotaria essa linha entreguista, pró-estadunidense como vem adotando (defenderam a ALCA, defendem abertamente o fim de qualquer proteção à indústria nacional e mesmo o recente socorro que o Pão de Açúcar fez ao BNDES para enfrentar o grupo Casino e o ataque predatório que ocorreu, resultando a completa e total desnacionalização do setor supermercadista de nosso país). É uma legenda honrada, feita e construída com sangue e suor de comunistas e patriotas de todos os rincões do país. São centenas os nossos mártires, os nossos perseguidos, os nossos presos e torturados, os nossos cassados, os nossos exilados. Para que tenhamos o Brasil que hoje temos.
Procure conhecer o nosso programa. Veja lá como contamos os dois principais ciclos civilizatórios que tivemos (1822 e 1930), quando a Nação inteira se uniu, resultando inclusive de um pacto político entre expressivas forças nacionais em defesa da pátria e do desenvolvimento nacional. Foram dois momentos em que demos um grande salto. Agora, diz nosso Partido, precisamos dar o terceiro e maior salto, para colocar nosso país entre as cinco maiores nações do mundo nos próximos vinte anos. Com justiça, democracia, desenvolvimento nacional e soberano, geração de emprego e renda, com valorização do trabalho, reforma agrária, respeito aos movimentos sociais, com integração solidária da América Latina. Devemos resgatar os ideais libertários de gente como Simon Bolívar, San Martin, Tiradentes, Getúlio Vargas, Prestes, João Amazonas, José Marti, Che, Fidel, Mariátegui, Tupac Amaru entre tantos outros. Você pode encontrar esse Programa, na íntegra no endereço http://www.pcdob.org.br/documento.php?id_documento_arquivo=1 Mas quero adverti-la. Há um risco enorme em você ler essa proposta de caminho socialista para nosso país. O de gostar imensamente do que lá esta escrito, sob pena de viver imensa contradição com seu trabalho nesse jornal que hoje, lamentavelmente, presta um desserviço à Nação brasileira.
Desculpe a extensão de minha mensagem. Mas fiquei e sigo indignado com a linha editorial do “seu” jornal, com a cobertura jornalística que vocês têm dado nas edições e particularmente de domingo para cá, a forma torpe, baixa e rasteira com quem cobriram e repercutiram a “denúncia” contra o ministro Orlando feita por esse Partido Política chamado Veja.
Saudações a quem tem coragem
Prof. Lejeune Mirhan
Sociólogo, Escritor e Arabista
Colunista da Revista Sociologia e do Portal Vermelho
Ego sum pauper. Nihil habeo. Cor dabo
(Eu sou pobre. Nada tenho. Darei meu coração)
Hoje milhões de crianças dormirão nas ruas no mundo. Nenhuma delas é cubana.
Mensagem enviada à Ombudsman da Folha de São Paulo - Suzana Singer
Cara Suzana Singer: acompanho as suas colunas todas as semanas. Sei da tarefa espinhosa que é criticar o jornal que paga o seu próprio salário. Dentro disso, acho que talvez dos Ombudsmen que a Folha teve nestes anos todos, você seja a mais isenta e mais crítica, defendendo mais os interesses reais dos (as) leitores (as) e mesmo de um jornalismo equilibrado, nos moldes do Independent ou Guardian, ambos londrinos.
Quero me apresentar. Sou militante do PCdoB. Assinante do jornal há décadas, como também do Estadão. Por dever de oficio, como professor universitário que fui por 20 anos (Unimep, 1986 a 2006) e um sedento e viciado em informações, leia avidamente ambos os jornalões desta burguesia paulista, além do Valor que leio emprestado.
Estou impressionado com a linha editorial cada dia pior da Folha. Até o Estadão tem conseguido ser melhor aos finais de semana, mais equilibrado, ainda que também sofrível. Mas a Folha... Nada mais tem a ver com a Folha das Diretas Já, quando dava gosto ler seu jornal. Hoje ela esta intragável. Cada dia mais denuncista, mais pró-imperialista, mais neoliberal, em defesa de um modelo de capitalismo financeiro que vai acabando com e no mundo todo. Uma Folha cada vez mais pró-Israel e sionista, antiárabe e antipalestina. De todos os seus colunistas, quem escapa a esse modelo?
Na linha do Globo e da Veja, que viraram partidos políticos, a Folha envereda-se pelo mesmo caminho. Faz sistemática e constante oposição, raivosa muitas vezes, contra o governo federal, a quem não tolera de forma alguma. Atacou, mentiu e perseguiu o governo de um presidente operário por oito anos seguidos, depois de ter apoiado e idolatrado por outros oito anos o queridinho da mídia, FHC de triste lembrança. A Folha e as elites não aceitam que Lula tenha deixado o país com 73% de popularidade e hoje tenha incríveis 85%. Medidos pelo mesmo Instituto de propriedade do jornal, o Data Folha, de meu colega Mauro Paulino. A Folha e a mídia nativa não tolera que esse operário tenha elegido a 1ª mulher na história deste país – uma guerrilheira, torturada e lutadora contra a ditadura.
A suíte iniciada domingo contra o ministro Orlando Silva Jr. nosso camarada é tudo que um jornalismo não deve ser nem deve perseguir. A única e honrosa exceção esta em uma matéria hoje no Valor falando sobre o que teríamos por trás dessas denúncias. Claro, olho grande em um ministério que cresceu e se fortaleceu sob o comando dos comunistas. Que trouxe a Copa e as Olimpíadas para nosso Brasil. E a própria cobertura do seu jornal sobre as obras da Copa é como se o país inteiro, sua imprensa e suas elites, torcessem para dar tudo errado. A Veja chegou a dar uma capa que mencionava que as obras da Copa terminariam apenas daqui a 95 anos! E a Folha faz coro com isso. E acredite, Suzana, todas as 14 arenas serão rigorosamente entregues em dezembro de 2013, seis meses antes do início da Copa.
Recentemente o presidente Lula recebeu seu terceiro ou quarto título de doutor honoris causa. O seu jornal não dedicou quase nenhuma linha a isso. Claro, sei que você é remunerada para analisar a Folha. Às vezes também comenta sobre outros órgãos concorrentes. Mas, a blogosfera noticiou como a imprensa cobriu esse episódio em Paris. Como diz um blogueiro, para saber sobre Lula hoje temos que dominar o inglês, o francês e o espanhol, para podermos ler respectivamente no NYT, no Monde e no El País. Em português não se fica sabendo de nada ou sabe-se de forma enviesada. Você deve ter visto a que a correspondente do Globo fez ao diretor da Science Po, onde indagou porque o prêmio não havia sido dado ao ex-presidente e “príncipe” (sic) da Sociologia. Aqui, faço breve parêntese. Presidi a Federação Nacional dos Sociólogos deste país e atuei na liderança dos sociólogos e professores de Sociologia para que nossa ciência pudesse ser lecionada de forma obrigatória em todas as escolas médias do país, como no mundo civilizado. Pois bem. O tal “príncipe” da Sociologia vetou uma iniciativa aprovada na Câmara e no Senado em setembro de 2001. Mas, o governo de um operário – torneiro mecânico como o próprio Lula gosta de se apresentar – sancionou a Lei em 3 de junho de 2008. Estilos distintos, não?
O denuncismo da Folha continua matando pessoas. Mata-as politicamente. Destroi biografias, macha passados e presentes honrados. Mata sem direito a defesa. O jornal quer cumprir o papel, ao mesmo tempo, de acusador (promotor), de julgador (juiz) e de executor da sentença – carrasco. Isso impressiona. Nenhum grande jornal do mundo age assim. Em nenhum país do mundo a mídia faz o que quer, fala o que quer, sob o manto de uma difusa “liberdade de imprensa”. Para defender quais interesses? Para apresentar quais propostas?
O mundo inteiro esta desabando, fazendo água. O capitalismo encontra-se sob ataque em mais de mil cidades grandes do planeta. Wall Street encontra-se ocupada por três semanas, por uma juventude muito parecida com a que participou do levante no mundo árabe, dos indignados em toda a Europa. E qual a pauta central dos nossos jornalões? Os costumes! A moral! Os jornalões e suas famílias (Mesquita, Frias, Civita, marinho) apresentam-se como os maiores vestais da moralidade, dos bons costumes. Será que retrocedemos à década de 1950? E olha, nada contra ser honesto e íntegro, como procuramos ser. Mas isso não é carta programa. Parece-me que isso é básico para homens e mulheres que procuram a vida pública. Termos como “faxina” e fotos de vassouras para o ar e isso ocupar farto espaço do caderno nacional é a única proposta que seu jornal tem para o Brasil? Porque quatro páginas hoje na Folha, como no Estadão sobre Orlando? Que justifica isso? Aonde o jornal quer chegar? Derrubar ministros, para dizer que Dilma perde uma média de um ministro por mês em seu primeiro governo? Que exatamente os que ela herdou de Lula são os mais corruptos? E o direito à dúvida, à presunção da inocência, onde fica? E o tal “outro lado da notícia”, como mando vosso manual de redação (para que serve mesmo?), qual o sentido daquelas recomendações?
Porque a Folha e o que se chama de GAFE, que inclui Globo, Editora Abril com a Veja e o Estadão seguem resistindo a qualquer tipo de regulação e controle externo? O judiciário já tem, ainda que esteja sob contestação corporativa. Todos os países civilizados o possuem. Porque aqui vocês insistem em chamar essa regulação de “censura” (sic). Quer dizer que os órgãos de mídia podem falar o que quiser, sobre quem quiser, sem nenhum tipo de controle, de direito de resposta? Só nos restam às seções de cartas e no seu caso, a coluna do Ombudsman?
Será que seu jornal não percebe que o mundo mudou? Que o modelo neoliberal de “estado fraco” (para quem mesmo?), menos impostos, deus mercado é que manda e regula tudo, BC “independente” ruiu em todo o mundo? Que a crise de 2008 só não foi pior porque o velho e bom estado vem tentando salvar todas as empresas e bancos capitalistas com recursos públicos? Mas a imprensa nacional – em especial o seu jornal, desculpe o eufemismo quando falo isso, mas quero dizer o jornal a quem você serve – não percebeu isso? E olha que quando falo de BC independente que os editoriais da Folha tanto pregaram e batem no peito a exigir a cada momento, esta sendo contestado por figuras de proa na economia, como por exemplo Delfim Neto, Luiz Carlos Bresser Pereira e Yoshiaki Nakano. Eles agora dizem em alto e em bom som: pela primeira vez o BC tomou mesmo uma decisão independente. Só que independente do tal mercado.
Páginas e páginas são dedicadas à FHC, que segue verbalizando a mesma coisa que fazia há 17 anos, mas que não servem mais. Privatizações em nenhum lugar do mundo deram certo. Redução de impostos só beneficiam os ricos. O bolsa família não é bolsa esmola. É o maior programa de transferência de renda do planeta e o mais elogiado por todas as agências internacionais de apoio ao desenvolvimento da humanidade. Um programa premiadíssimo. Mas só a Folha, Globo e Estadão com apoio de Veja não viram isso. E todos esses órgãos, invariavelmente, vivem de anúncios, transformando a notícia em mera mercadoria à serviço dos seus donos, dos seus acionistas, de suas famílias e de uma elite branca e preconceituosa que odeia o seu próprio povo. Que torce para que tudo dê errado. Que não vibra quando o Brasil progride, quando diminuímos a desigualdade. Uma elite milionária que olha para o Norte, que teve suas proles educadas na Europa e nos “states”.
Vocês, jornalistas, não sabem dos dados, das informações? Um exemplo pequeno, onde atuei por duas décadas. O ensino superior público no país. FHC, de quem seus patrões tanto gostam, como seus amigos que literalmente aparelham o maior Estado do país, o de SP, com Alckmin e caterva, governou com o neoliberal Paulo Renato na educação e não foi capaz de criar uma única nova universidade federal. Lula, sem diploma de curso superior – imperdoável isso! – criou doze universidades federais em oito anos! E expandiu como nenhum outro na história o ensino superior. Hoje um doutor é contratado em uma IFES, com 20 horas e recebe pelo menos 7,5 mil reais ao mês! Quase que nos igualamos aos padrões de remuneração internacionais. Claro, ainda falta muito. Outro dado simples que Lula sempre mencionou. Entre 1900 e 2002, portanto em 102 anos, foram criadas 200 escolas técnicas no país. Lula em oito anos criou outras 200 escolas. Criou o PROUNI, hoje garantindo que quase um milhão de pessoas das classes “D” e “E” possam estudar e ter seu diploma de ensino superior. Eu poderia falar da nossa querida Petrobras, que FHC queria PETROBRAX (sic). Era a 15ª petroleira do mundo e quase foi privatizada. A imagem que tínhamos dela era a plataforma P-52 emborcada (posso estar errando o número, pois escrevo de cabeça e sem pesquisa). E fabricada no exterior. Com 27 mil empregados, não dava lucro algum, com dois terços do seu capital que reparte lucros e dividendos nas mãos de particulares e estrangeiros. Hoje, somos a 4ª petroleira do mundo. Temos o pré-sal, temos 110 mil empregados e nos orgulhamos disso. Poderia dar-lhe dados e mais dados. Mas fico com estes apenas, aos quais reconheço, podem ter algumas imprecisões.
Vejam os espaços editoriais que são concedidos ainda à FHC. Páginas e páginas de entrevistas, artigos assinados. Que esse senhor tem a dizer? E mesmo sobre Aécio. Seu editorialista Ricardo Melo, se não me falha a memória, criticou as duas páginas que o Estadão concedeu ao Aécio para que este laçasse a sua candidatura antecipada à presidência em 2014. Duas longas páginas. Seu editorialista ficou indignado! Por razões de oficio – eu também fiz isso – teve que ler a longa entrevista e nada encontrou que justificasse o espaço. Uma proposta sequer é apresentada. Um vestal da moralidade – ainda que tenha fugido do teste do bafômetro no Rio e até hoje não explique porque a rádio de sua irmã tem dez carros, a maioria importados, em seu nome – defendendo um abstrato “choque de gestão” (sic). Uma campanha udenista em pleno século XXI! Que proposta tem esse senhor para o país? O que ele defende para sairmos da crise? Quais são seus programas para diminuir e mesmo acabar com a horrenda desigualdade ainda existente no nosso Brasil? Que fazer para enfrentarmos a crise internacional, os ataques especulativos à nossa economia? Será que ele defende a queda brusca dos juros? Ou defende a maior transferência de renda para os mais ricos do país, que é a astronômica e vergonhosa taxa de juros de nosso país? Aliás, qual a posição de seu jornal sobre isso? Vi na edição de 1º de setembro, o Day After da primeira vez em que o BC do Brasil tomou uma atitude verdadeiramente independente – mas independente do mercado! – e foi criticado por todo mundo, encabeçado pelos Sardenbergs, as Leitões, os Mervais da vida e outros menos votados à serviço de umas 15 mil famílias e dos bancos que embolsam algo como 240 bilhões de reais ao anos de juros de nossa astronômica dívida pública. Isso é mais que o dobro de tudo que o governo federal investe em programas sociais e de transferência de renda. É o bolsa dos ricos. Esta pode e não é contestado. A outra, dos pobres, é uma vergonha! Pode isso? Não sei se você acompanha. Hoje centrais sindicais e entidades empresariais do país lançaram um vigoroso e correto movimento pela queda ainda mais acentuada dos juros aqui em SP. Apoiamos esse movimento. Esse novo pacto político entre correntes políticos e setores sociais pode estar a solução para o salto que precisamos dar (não confundir pacto com capitulação e conciliação de classes).
Não há uma linha, uma palavra de elogio dos donos de seu jornal a essas políticas. Ao contrário. Toda a linha editorial é para desqualificar essa transferência de renda. A explosão de vendas de automóveis, o congestionamento dos aeroportos – provas irrefutáveis de que uma nova e significativa parcela da população vem tendo sua renda ampliada – são mostrados como caos, como “descaso do governo” para com os aeroportos e estradas (sic).
Onde vamos parar com isso, Suzana?
Por fim, quero lhe dizer sobre meu Partido. É o mais antigo deste país com vida continuada. Não há como falar da história do Brasil no século XX sem falar do nosso PCdoB (cuja sigla em 1922 era PCB, mas surgiu fundado como sendo Partido Comunista do Brasil). Os donos de seu jornal não divulgam um Projeto para o Brasil. Nem devem tê-lo, pelo que depreendemos da linha editorial que acompanhamos (leio o seu jornal e o da família Mesquita desde que cheguei a Sampa com 16 anos em 1973 e tomei gosto pela política). Mas quero lhe dizer, que se seu jornal fizesse um jornalismo sério, não adotaria essa linha entreguista, pró-estadunidense como vem adotando (defenderam a ALCA, defendem abertamente o fim de qualquer proteção à indústria nacional e mesmo o recente socorro que o Pão de Açúcar fez ao BNDES para enfrentar o grupo Casino e o ataque predatório que ocorreu, resultando a completa e total desnacionalização do setor supermercadista de nosso país). É uma legenda honrada, feita e construída com sangue e suor de comunistas e patriotas de todos os rincões do país. São centenas os nossos mártires, os nossos perseguidos, os nossos presos e torturados, os nossos cassados, os nossos exilados. Para que tenhamos o Brasil que hoje temos.
Procure conhecer o nosso programa. Veja lá como contamos os dois principais ciclos civilizatórios que tivemos (1822 e 1930), quando a Nação inteira se uniu, resultando inclusive de um pacto político entre expressivas forças nacionais em defesa da pátria e do desenvolvimento nacional. Foram dois momentos em que demos um grande salto. Agora, diz nosso Partido, precisamos dar o terceiro e maior salto, para colocar nosso país entre as cinco maiores nações do mundo nos próximos vinte anos. Com justiça, democracia, desenvolvimento nacional e soberano, geração de emprego e renda, com valorização do trabalho, reforma agrária, respeito aos movimentos sociais, com integração solidária da América Latina. Devemos resgatar os ideais libertários de gente como Simon Bolívar, San Martin, Tiradentes, Getúlio Vargas, Prestes, João Amazonas, José Marti, Che, Fidel, Mariátegui, Tupac Amaru entre tantos outros. Você pode encontrar esse Programa, na íntegra no endereço http://www.pcdob.org.br/documento.php?id_documento_arquivo=1 Mas quero adverti-la. Há um risco enorme em você ler essa proposta de caminho socialista para nosso país. O de gostar imensamente do que lá esta escrito, sob pena de viver imensa contradição com seu trabalho nesse jornal que hoje, lamentavelmente, presta um desserviço à Nação brasileira.
Desculpe a extensão de minha mensagem. Mas fiquei e sigo indignado com a linha editorial do “seu” jornal, com a cobertura jornalística que vocês têm dado nas edições e particularmente de domingo para cá, a forma torpe, baixa e rasteira com quem cobriram e repercutiram a “denúncia” contra o ministro Orlando feita por esse Partido Política chamado Veja.
Saudações a quem tem coragem
Prof. Lejeune Mirhan
Sociólogo, Escritor e Arabista
Colunista da Revista Sociologia e do Portal Vermelho
Ego sum pauper. Nihil habeo. Cor dabo
(Eu sou pobre. Nada tenho. Darei meu coração)
Hoje milhões de crianças dormirão nas ruas no mundo. Nenhuma delas é cubana.
sábado, 15 de outubro de 2011
O tempo em que podemos mudar o mundo
Immanuel Wallerstein, provocador: capitalismo está condenado: resta saber quê irá substituí-lo.
Transição não será apocalíptica: dependerá das escolhas que fizermos agora
Entrevista a Sophie Shevardnadze | Tradução: Daniela Frabasile
A entrevista durou pouco mais de onze minutos, mas alimentará horas de debates em todo o mundo e certamente ajudará a enxergar melhor o período tormentoso que vivemos. Aos 81 anos, o sociólogo estadunidense Immanuel Wallerstein, acredita que o capitalismo chegou ao fim da linha: já não pode mais sobreviver como sistema. Mas – e aqui começam as provocações – o que surgirá em seu lugar pode ser melhor (mais igualitário e democrático) ou pior (mais polarizado e explorador) do que temos hoje em dia.
Estamos, pensa este professor da Universidade de Yale e personagem assíduo dos Fóruns Sociais Mundiais, em meio a uma bifurcação, um momento histórico único nos últimos 500 anos. Ao contrário do que pensava Karl Marx, o sistema não sucumbirá num ato heróico. Desabará sobre suas próprias contradições. Mas atenção: diferente de certos críticos do filósofo alemão, Wallerstein não está sugerindo que as ações humanas são irrelevantes.
Ao contrário: para ele, vivemos o momento preciso em que as ações coletivas, e mesmo individuais, podem causar impactos decisivos sobre o destino comum da humanidade e do planeta. Ou seja, nossas escolhas realmente importam. “Quando o sistema está estável, é relativamente determinista. Mas, quando passa por crise estrutural, o livre-arbítrio torna-se importante.”
É no emblemático 1968, referência e inspiração de tantas iniciativas contemporâneas, que Wallerstein situa o início da bifurcação. Lá teria se quebrado “a ilusão liberal que governava o sistema-mundo”. Abertura de um período em que o sistema hegemônico começa a declinar e o futuro abre-se a rumos muito distintos, as revoltas daquele ano seriam, na opinião do sociólogo, o fato mais potente do século passado – superiores, por exemplo, à revolução soviética de 1917 ou a 1945, quando os EUA emergiram com grande poder mundial.
As declarações foram colhidas no dia 4 de outubro pela jornalista Sophie Shevardnadze, que conduz o programa Interview na emissora de televisão russa RT (abaixo). A transcrição e a tradução para o português são iniciativas de Outras Palavras.
Há exatamente dois anos, você disse ao RT que o colapso real da economia ainda demoraria alguns anos. Esse colapso está acontecendo agora?
Não, ainda vai demorar um ano ou dois, mas está claro que essa quebra está chegando.
Quem está em maiores apuros: Os Estados Unidos, a União Europeia ou o mundo todo?
Na verdade, o mundo todo vive problemas. Os Estados Unidos e União Europeia, claramente. Mas também acredito que os chamados países emergentes, ou em desenvolvimento – Brasil, Índia, China – também enfrentarão dificuldades. Não vejo ninguém em situação tranquila.
Você está dizendo que o sistema financeiro está claramente quebrado. O que há de errado com o capitalismo contemporâneo?
Essa é uma história muito longa. Na minha visão, o capitalismo chegou ao fim da linha e já não pode sobreviver como sistema. A crise estrutural que atravessamos começou há bastante tempo. Segundo meu ponto de vista, por volta dos anos 1970 – e ainda vai durar mais uns vinte, trinta ou quarenta anos. Não é uma crise de um ano, ou de curta duração: é o grande desabamento de um sistema. Estamos num momento de transição. Na verdade, na luta política que acontece no mundo — que a maioria das pessoas se recusa a reconhecer — não está em questão se o capitalismo sobreviverá ou não, mas o que irá sucedê-lo. E é claro: podem existir duas pontos de vista extremamente diferentes sobre o que deve tomar o lugar do capitalismo.
Qual a sua visão?
Eu gostaria de um sistema relativamente mais democrático, mais relativamente igualitário e moral. Essa é uma visão, nós nunca tivemos isso na história do mundo – mas é possível. A outra visão é de um sistema desigual, polarizado e explorador. O capitalismo já é assim, mas pode advir um sistema muito pior que ele. É como vejo a luta política que vivemos. Tecnicamente, significa é uma bifurcação de um sistema.
Então, a bifurcação do sistema capitalista está diretamente ligada aos caos econômico?
Sim, as raízes da crise são, de muitas maneiras, a incapacidade de reproduzir o princípio básico do capitalismo, que é a acumulação sistemática de capital. Esse é o ponto central do capitalismo como um sistema, e funcionou perfeitamente bem por 500 anos. Foi um sistema muito bem sucedido no que se propõe a fazer. Mas se desfez, como acontece com todos os sistemas.
Esses tremores econômicos, políticos e sociais são perigosos? Quais são os prós e contras?
Se você pergunta se os tremores são perigosos para você e para mim, então a resposta é sim, eles são extremamente perigosos para nós. Na verdade, num dos livros que escrevi, chamei-os de “inferno na terra”. É um período no qual quase tudo é relativamente imprevisível a curto prazo – e as pessoas não podem conviver com o imprevisível a curto prazo. Podemos nos ajustar ao imprevisível no longo prazo, mas não com a incerteza sobre o que vai acontecer no dia seguinte ou no ano seguinte. Você não sabe o que fazer, e é basicamente o que estamos vendo no mundo da economia hoje. É uma paralisia, pois ninguém está investindo, já que ninguém sabe se daqui a um ano ou dois vai ter esse dinheiro de volta. Quem não tem certeza de que em três anos vai receber seu dinheiro, não investe – mas não investir torna a situação ainda pior. As pessoas não sentem que têm muitas opções, e estão certas, as opções são escassas.
Então, estamos nesse processo de abalos, e não existem prós ou contras, não temos opção, a não ser estar nesse processo. Você vê uma saída?
Sim! O que acontece numa bifurcação é que, em algum momento, pendemos para um dos lados, e voltamos a uma situação relativamente estável. Quando a crise acabar, estaremos em um novo sistema, que não sabemos qual será. É uma situação muito otimista no sentido de que, na situação em que nos encontramos, o que eu e você fizermos realmente importa. Isso não acontece quando vivemos num sistema que funciona perfeitamente bem. Nesse caso, investimos uma quantidade imensa de energia e, no fim, tudo volta a ser o que era antes. Um pequeno exemplo. Estamos na Rússia. Aqui aconteceu uma coisa chamada Revolução Russa, em 1917. Foi um enorme esforço social, um número incrível de pessoas colocou muita energia nisso. Fizeram coisas incríveis, mas no final, onde está a Rússia, em relação ao lugar que ocupava em 1917? Em muitos aspectos, está de volta ao mesmo lugar, ou mudou muito pouco. A mesma coisa poderia ser dita sobre a Revolução Francesa.
O que isso diz sobre a importância das escolhas pessoais?
A situação muda quando você está em uma crise estrutural. Se, normalmente, muito esforço se traduz em pouca mudança, nessas situações raras um pequeno esforço traz um conjunto enorme de mudanças – porque o sistema, agora, está muito instável e volátil. Qualquer esforço leva a uma ou outra direção. Às vezes, digo que essa é a “historização” da velha distinção filosófica entre determinismo e livre-arbítrio. Quando o sistema está relativamente estável, é relativamente determinista, com pouco espaço para o livre-arbítrio. Mas, quando está instável, passando por uma crise estrutural, o livre-arbítrio torna-se importante. As ações de cada um realmente importam, de uma maneira que não se viu nos últimos 500 anos. Esse é meu argumento básico.
Você sempre apontou Karl Marx como uma de suas maiores influências. Você acredita que ele ainda seja tão relevante no século 21?
Bem, Karl Marx foi um grande pensador no século 19. Ele teve todas as virtudes, com suas ideias e percepções, e todas as limitações, por ser um homem do século 19. Uma de suas grandes limitações é que ele era um economista clássico demais, e era determinista demais. Ele viu que os sistemas tinham um fim, mas achou que esse fim se dava como resultado de um processo de revolução. Eu estou sugerindo que o fim é reflexo de contradições internas. Todos somos prisioneiros de nosso tempo, disso não há dúvidas. Marx foi um prisioneiro do fato de ter sido um pensador do século 19; eu sou prisioneiro do fato de ser um pensador do século 20.
Do século 21, agora.
É, mas eu nasci em 1930, eu vivi 70 anos no século 20, eu sinto que sou um produto do século 20. Isso provavelmente se revela como limitação no meu próprio pensamento.
Quanto – e de que maneiras – esses dois séculos se diferem? Eles são realmente tão diferentes?
Eu acredito que sim. Acredito que o ponto de virada deu-se por volta de 1970. Primeiro, pela revolução mundial de 1968, que não foi um evento sem importância. Na verdade, eu o considero o evento mais significantes do século 20. Mais importante que a Revolução Russa e mais importante que os Estados Unidos terem se tornado o poder hegemônico, em 1945. Porque 1968 quebrou a ilusão liberal que governava o sistema mundial e anunciou a bifurcação que viria. Vivemos, desde então, na esteira de 1968, em todo o mundo.
Você disse que vivemos a retomada de 68 desde que a revolução aconteceu. As pessoas às vezes dizem que o mundo ficou mais valente nas últimas duas décadas. O mundo ficou mais violento?
Eu acho que as pessoas sentem um desconforto, embora ele talvez não corresponda à realidade. Não há dúvidas de que as pessoas estavam relativamente tranquilas quanto à violência em 1950 ou 1960. Hoje, elas têm medo e, em muitos sentidos, têm o direito de sentir medo.
Você acredita que, com todo o progresso tecnológico, e com o fato de gostarmos de pensar que somos mais civilizados, não haverá mais guerras? O que isso diz sobre a natureza humana?
Significa que as pessoas estão prontas para serem violentas em muitas circunstâncias. Somos mais civilizados? Eu não sei. Esse é um conceito dúbio, primeiro porque o civilizado causa mais problemas que o não civilizado; os civilizados tentam destruir os bárbaros, não são os bárbaros que tentam destruir os civilizados. Os civilizados definem os bárbaros: os outros são bárbaros; nós, os civilizados.
É isso que vemos hoje? O Ocidente tentando ensinar os bárbaros de todo o mundo?
É o que vemos há 500 anos.
Transição não será apocalíptica: dependerá das escolhas que fizermos agora
Entrevista a Sophie Shevardnadze | Tradução: Daniela Frabasile
A entrevista durou pouco mais de onze minutos, mas alimentará horas de debates em todo o mundo e certamente ajudará a enxergar melhor o período tormentoso que vivemos. Aos 81 anos, o sociólogo estadunidense Immanuel Wallerstein, acredita que o capitalismo chegou ao fim da linha: já não pode mais sobreviver como sistema. Mas – e aqui começam as provocações – o que surgirá em seu lugar pode ser melhor (mais igualitário e democrático) ou pior (mais polarizado e explorador) do que temos hoje em dia.
Estamos, pensa este professor da Universidade de Yale e personagem assíduo dos Fóruns Sociais Mundiais, em meio a uma bifurcação, um momento histórico único nos últimos 500 anos. Ao contrário do que pensava Karl Marx, o sistema não sucumbirá num ato heróico. Desabará sobre suas próprias contradições. Mas atenção: diferente de certos críticos do filósofo alemão, Wallerstein não está sugerindo que as ações humanas são irrelevantes.
Ao contrário: para ele, vivemos o momento preciso em que as ações coletivas, e mesmo individuais, podem causar impactos decisivos sobre o destino comum da humanidade e do planeta. Ou seja, nossas escolhas realmente importam. “Quando o sistema está estável, é relativamente determinista. Mas, quando passa por crise estrutural, o livre-arbítrio torna-se importante.”
É no emblemático 1968, referência e inspiração de tantas iniciativas contemporâneas, que Wallerstein situa o início da bifurcação. Lá teria se quebrado “a ilusão liberal que governava o sistema-mundo”. Abertura de um período em que o sistema hegemônico começa a declinar e o futuro abre-se a rumos muito distintos, as revoltas daquele ano seriam, na opinião do sociólogo, o fato mais potente do século passado – superiores, por exemplo, à revolução soviética de 1917 ou a 1945, quando os EUA emergiram com grande poder mundial.
As declarações foram colhidas no dia 4 de outubro pela jornalista Sophie Shevardnadze, que conduz o programa Interview na emissora de televisão russa RT (abaixo). A transcrição e a tradução para o português são iniciativas de Outras Palavras.
Há exatamente dois anos, você disse ao RT que o colapso real da economia ainda demoraria alguns anos. Esse colapso está acontecendo agora?
Não, ainda vai demorar um ano ou dois, mas está claro que essa quebra está chegando.
Quem está em maiores apuros: Os Estados Unidos, a União Europeia ou o mundo todo?
Na verdade, o mundo todo vive problemas. Os Estados Unidos e União Europeia, claramente. Mas também acredito que os chamados países emergentes, ou em desenvolvimento – Brasil, Índia, China – também enfrentarão dificuldades. Não vejo ninguém em situação tranquila.
Você está dizendo que o sistema financeiro está claramente quebrado. O que há de errado com o capitalismo contemporâneo?
Essa é uma história muito longa. Na minha visão, o capitalismo chegou ao fim da linha e já não pode sobreviver como sistema. A crise estrutural que atravessamos começou há bastante tempo. Segundo meu ponto de vista, por volta dos anos 1970 – e ainda vai durar mais uns vinte, trinta ou quarenta anos. Não é uma crise de um ano, ou de curta duração: é o grande desabamento de um sistema. Estamos num momento de transição. Na verdade, na luta política que acontece no mundo — que a maioria das pessoas se recusa a reconhecer — não está em questão se o capitalismo sobreviverá ou não, mas o que irá sucedê-lo. E é claro: podem existir duas pontos de vista extremamente diferentes sobre o que deve tomar o lugar do capitalismo.
Qual a sua visão?
Eu gostaria de um sistema relativamente mais democrático, mais relativamente igualitário e moral. Essa é uma visão, nós nunca tivemos isso na história do mundo – mas é possível. A outra visão é de um sistema desigual, polarizado e explorador. O capitalismo já é assim, mas pode advir um sistema muito pior que ele. É como vejo a luta política que vivemos. Tecnicamente, significa é uma bifurcação de um sistema.
Então, a bifurcação do sistema capitalista está diretamente ligada aos caos econômico?
Sim, as raízes da crise são, de muitas maneiras, a incapacidade de reproduzir o princípio básico do capitalismo, que é a acumulação sistemática de capital. Esse é o ponto central do capitalismo como um sistema, e funcionou perfeitamente bem por 500 anos. Foi um sistema muito bem sucedido no que se propõe a fazer. Mas se desfez, como acontece com todos os sistemas.
Esses tremores econômicos, políticos e sociais são perigosos? Quais são os prós e contras?
Se você pergunta se os tremores são perigosos para você e para mim, então a resposta é sim, eles são extremamente perigosos para nós. Na verdade, num dos livros que escrevi, chamei-os de “inferno na terra”. É um período no qual quase tudo é relativamente imprevisível a curto prazo – e as pessoas não podem conviver com o imprevisível a curto prazo. Podemos nos ajustar ao imprevisível no longo prazo, mas não com a incerteza sobre o que vai acontecer no dia seguinte ou no ano seguinte. Você não sabe o que fazer, e é basicamente o que estamos vendo no mundo da economia hoje. É uma paralisia, pois ninguém está investindo, já que ninguém sabe se daqui a um ano ou dois vai ter esse dinheiro de volta. Quem não tem certeza de que em três anos vai receber seu dinheiro, não investe – mas não investir torna a situação ainda pior. As pessoas não sentem que têm muitas opções, e estão certas, as opções são escassas.
Então, estamos nesse processo de abalos, e não existem prós ou contras, não temos opção, a não ser estar nesse processo. Você vê uma saída?
Sim! O que acontece numa bifurcação é que, em algum momento, pendemos para um dos lados, e voltamos a uma situação relativamente estável. Quando a crise acabar, estaremos em um novo sistema, que não sabemos qual será. É uma situação muito otimista no sentido de que, na situação em que nos encontramos, o que eu e você fizermos realmente importa. Isso não acontece quando vivemos num sistema que funciona perfeitamente bem. Nesse caso, investimos uma quantidade imensa de energia e, no fim, tudo volta a ser o que era antes. Um pequeno exemplo. Estamos na Rússia. Aqui aconteceu uma coisa chamada Revolução Russa, em 1917. Foi um enorme esforço social, um número incrível de pessoas colocou muita energia nisso. Fizeram coisas incríveis, mas no final, onde está a Rússia, em relação ao lugar que ocupava em 1917? Em muitos aspectos, está de volta ao mesmo lugar, ou mudou muito pouco. A mesma coisa poderia ser dita sobre a Revolução Francesa.
O que isso diz sobre a importância das escolhas pessoais?
A situação muda quando você está em uma crise estrutural. Se, normalmente, muito esforço se traduz em pouca mudança, nessas situações raras um pequeno esforço traz um conjunto enorme de mudanças – porque o sistema, agora, está muito instável e volátil. Qualquer esforço leva a uma ou outra direção. Às vezes, digo que essa é a “historização” da velha distinção filosófica entre determinismo e livre-arbítrio. Quando o sistema está relativamente estável, é relativamente determinista, com pouco espaço para o livre-arbítrio. Mas, quando está instável, passando por uma crise estrutural, o livre-arbítrio torna-se importante. As ações de cada um realmente importam, de uma maneira que não se viu nos últimos 500 anos. Esse é meu argumento básico.
Você sempre apontou Karl Marx como uma de suas maiores influências. Você acredita que ele ainda seja tão relevante no século 21?
Bem, Karl Marx foi um grande pensador no século 19. Ele teve todas as virtudes, com suas ideias e percepções, e todas as limitações, por ser um homem do século 19. Uma de suas grandes limitações é que ele era um economista clássico demais, e era determinista demais. Ele viu que os sistemas tinham um fim, mas achou que esse fim se dava como resultado de um processo de revolução. Eu estou sugerindo que o fim é reflexo de contradições internas. Todos somos prisioneiros de nosso tempo, disso não há dúvidas. Marx foi um prisioneiro do fato de ter sido um pensador do século 19; eu sou prisioneiro do fato de ser um pensador do século 20.
Do século 21, agora.
É, mas eu nasci em 1930, eu vivi 70 anos no século 20, eu sinto que sou um produto do século 20. Isso provavelmente se revela como limitação no meu próprio pensamento.
Quanto – e de que maneiras – esses dois séculos se diferem? Eles são realmente tão diferentes?
Eu acredito que sim. Acredito que o ponto de virada deu-se por volta de 1970. Primeiro, pela revolução mundial de 1968, que não foi um evento sem importância. Na verdade, eu o considero o evento mais significantes do século 20. Mais importante que a Revolução Russa e mais importante que os Estados Unidos terem se tornado o poder hegemônico, em 1945. Porque 1968 quebrou a ilusão liberal que governava o sistema mundial e anunciou a bifurcação que viria. Vivemos, desde então, na esteira de 1968, em todo o mundo.
Você disse que vivemos a retomada de 68 desde que a revolução aconteceu. As pessoas às vezes dizem que o mundo ficou mais valente nas últimas duas décadas. O mundo ficou mais violento?
Eu acho que as pessoas sentem um desconforto, embora ele talvez não corresponda à realidade. Não há dúvidas de que as pessoas estavam relativamente tranquilas quanto à violência em 1950 ou 1960. Hoje, elas têm medo e, em muitos sentidos, têm o direito de sentir medo.
Você acredita que, com todo o progresso tecnológico, e com o fato de gostarmos de pensar que somos mais civilizados, não haverá mais guerras? O que isso diz sobre a natureza humana?
Significa que as pessoas estão prontas para serem violentas em muitas circunstâncias. Somos mais civilizados? Eu não sei. Esse é um conceito dúbio, primeiro porque o civilizado causa mais problemas que o não civilizado; os civilizados tentam destruir os bárbaros, não são os bárbaros que tentam destruir os civilizados. Os civilizados definem os bárbaros: os outros são bárbaros; nós, os civilizados.
É isso que vemos hoje? O Ocidente tentando ensinar os bárbaros de todo o mundo?
É o que vemos há 500 anos.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Santa Catarina chora mais uma vez...
Florianópolis (8/9/2011) - Conforme previsto pela Secretaria de Defesa Civil, a chuva castigou Santa Catarina da madrugada de quarta (7) até esta quinta-feira (8). Dez municípios decretaram situação de emergência e 25 emitiram notificações preliminares de desastre (Nopred). As chuvas atingem mais de 440 mil pessoas em 46 municípios. Os dados são referente ao boletim das 17h30 desta quinta-feira (8), emitido pela Secretaria de Defesa Civil.
A principal região atingida é o Vale do Itajaí, com mais de 400 mil pessoas em 24 municípios. O primeiro município a decretar situação de emergência foi o de Rio dos Cedros, que tem mais de 10 mil pessoas afetadas. As regiões Norte e da Grande Florianópolis também registraram ocorrências em alguns dos municípios.
Blumenau já decretou situação de emergência, afetando 280 mil pessoas. O governador Raimundo Colombo esteve na cidade para verificar a situação das pessoas. “Viemos levantar as informações e ver como está a cidade. A situação realmente é negativa e o Estado vai dispor toda a sua estrutura para ajudar tanto Blumenau como as outras cidades.” O governador também esteve em Rio do Sul, onde o prefeito Milton Hobbus decretou estado de calamidade pública pelas inundações e deslizamentos de terra, além da expectativa do o rio chegar ao nível de até 12 metros, causando problemas em vários bairros da cidade.
O nível do rio Itajaí-Açu obrigou 15 mil moradores a se deslocarem para casa de familiares ou amigos e 41 pessoas estão desabrigadas. A previsão é de que o rio chegue a 14 metros às 5h da manhã de sexta-feira (9).
Em Florianópolis, 426 pessoas estão desalojadas e 118 residências foram danificadas. A cidade é atingida por enxurradas e tem os sistemas de água e energia com problemas em alguns bairros.
Secretaria de Estado de Comunicação
A principal região atingida é o Vale do Itajaí, com mais de 400 mil pessoas em 24 municípios. O primeiro município a decretar situação de emergência foi o de Rio dos Cedros, que tem mais de 10 mil pessoas afetadas. As regiões Norte e da Grande Florianópolis também registraram ocorrências em alguns dos municípios.
Blumenau já decretou situação de emergência, afetando 280 mil pessoas. O governador Raimundo Colombo esteve na cidade para verificar a situação das pessoas. “Viemos levantar as informações e ver como está a cidade. A situação realmente é negativa e o Estado vai dispor toda a sua estrutura para ajudar tanto Blumenau como as outras cidades.” O governador também esteve em Rio do Sul, onde o prefeito Milton Hobbus decretou estado de calamidade pública pelas inundações e deslizamentos de terra, além da expectativa do o rio chegar ao nível de até 12 metros, causando problemas em vários bairros da cidade.
O nível do rio Itajaí-Açu obrigou 15 mil moradores a se deslocarem para casa de familiares ou amigos e 41 pessoas estão desabrigadas. A previsão é de que o rio chegue a 14 metros às 5h da manhã de sexta-feira (9).
Em Florianópolis, 426 pessoas estão desalojadas e 118 residências foram danificadas. A cidade é atingida por enxurradas e tem os sistemas de água e energia com problemas em alguns bairros.
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