terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Voltei!

Escutei de um amigo semana passada o seguinte: "Tenho passeado pelo seu blog, mas faz tempo que não andas por lá..." . Pois é Dilmo, querido, havia perdido o encanto por este espaço, mas hoje deu vontade de retornar aqui e escrever algo que me tocou profundamente.

Há alguns anos, duas amigas repetem a mesma coisa, dizem que devo ter algum problema por não me sentir merecedora do que conquisto. Concordo com elas. As vezes somos assim, e achamos natural sermos assim. Precisamos desconstruir isso, sabermos reconhecer e aceitar o que de bom plantamos e colhemos. Podem até pensar em chamar isto de vaidade, prefiro chamar de "presente".

Hoje é um dia muito especial, estou sentindo que o Grupo Bancários e Bancárias pela Vida, que ajudei a construir, está retomando o debate da saúde na categoria. E mais feliz fiquei foi ao receber a ligação de uma dirigente que está articulando uma reunião com eles nos próximos dias. Ela ligou e disse: "Menina, voce tem mel, só pode..." eu não compreendi mas depois veio a explicação. Ela está fazendo as ligações convidando as pessoas que estiveram próximas ao trabalho que realizei no Sindicato para um "papo" e todas elas elogiaram o trabalho que realizei, a importancia de estarem unidas e a necessidade do grupo retomar os debates.

Estou feliz, pois tudo o que transmiti a eles permanece vivo em seus corações depois de quase um ano de minha saída do Sindicato, durante o tempo que estivemos juntos pedia que olhassem o companheiro e a companheira nos olhos e percebessem que a dor que eles sentiam era a mesma dor daquele que estava ao seu lado no dia a dia das Agências.

Que o assédio moral que sofreram, e que naquele momento sabiam o que haviam passado, era uma prática perversa de gestão e que a vida deles não se resumia a trabalho, horas extras, metas, negócios, vendas. Jamais esquecerei cada rosto que entrava na minha sala e depois de quase uma hora de papo saía com a certeza de ter encontrado alguem que entendia o que estava passando, que o escutou com respeito e cumplicidade e fez enxergar que o monstro que assombrava seus dias e suas noites chamava Assédio Moral.

Quando sou chamada para falar de assédio moral, afirmo com todas as letras, a vítima de assédio moral no trabalho quando se reconhece e compreende o processo que a levou a adoecer, quer e busca apoio para transformar o ambiente de trabalho e colocar fim a esta violência invisivel aos olhos mas muito concreta a dignidade humana.

E este Grupo, de trabalhadores e trabalhadoras, que nasceu dentro do Sindicato dos Bancários de Fpolis, de uma necessidade solicitada por eles mesmos, vítimas de toda a barbárie do processo produtivo e vítimas do próprio descaso do Sindicato que deveria ter dado continuidade ao trabalho. Hoje, estão ajudando a construir uma alternativa de oposição aqueles que lhes deram as costas.

Esta é a prova, a conscientização ainda é o melhor caminho para desconstruir o que nos é colocado como Natural e confesso, estou extremamente feliz com este resultado!

E por esse motivo, amigo Dilmo, eu voltei!! Quero muitos outros "presentes" como este!!

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